Universidade
Pós-graduandos não são recebidos por Zago e conversam na calçada com diretor da Fapesp sobre cortes em bolsas de pesquisa; nesta terça (1º/9), plenária virtual discute continuidade da mobilização
Representantes de entidades estudantis estiveram na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na última sexta-feira (28 de agosto) para entregar pessoalmente o ofício que a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e outras 17 organizações protocolaram na véspera solicitando esclarecimentos sobre os cortes no programa de Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE).
Ao contrário do que se poderia esperar, o grupo de dirigentes estudantis não foi recebido na sede para conversar com o presidente da Fapesp, M.A. Zago, ex-reitor da USP. O diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da fundação, Carlos Graeff, ex-pró-reitor de Pesquisa da Unesp, acompanhado do gerente de Comunicação, Herton Escobar, conversou com eles na calçada.
O grupo era formado por Gabryella Cardoso, vice-presidenta da ANPG em São Paulo; Henrique de Andrade, diretor da Associação de Pós-Graduandos Helenira “Preta” Resende USP-Capital; Denisson Guimarães, presidente da APG Central da Unesp; Wesley Gabriel, presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP); e Jonas Marssaro, diretor do movimento Ação pela Ciência.
“Infelizmente, a gente não conseguiu entrar na Fapesp, mas o diretor Carlos Graeff veio aqui fora, conversou com a gente, e a perspectiva que temos agora é de tentar um diálogo e tentar uma reunião”, disse Gabryella Cardoso, num vídeo divulgado após o encontro na calçada. “Deixamos clara a nossa posição de que a gente não vai recuar quanto à nossa requisição de pautar a revogação dessa medida”.
Nesta terça-feira (1º de setembro), às 19h30min, as entidades realizam uma plenária virtual para discutir os próximos encaminhamentos na mobilização contra as mudanças na BEPE.
Entidades exigem transparência nos dados e fundamentos da decisão
Neste domingo (30 de agosto), a ANPG, as APGs da USP Capital, Central da Unesp e Unicamp e a Ação pela Ciência divulgaram um comunicado no qual afirmam que não apenas os(as) estudantes foram pegos(as) de surpresa com as novas regras da BEPE, mas que “gestores das universidades paulistas e institutos de pesquisas também não foram previamente informados, o que evidencia a falta de transparência da Fundação [Fapesp] na condução de mudanças tão relevantes em suas políticas de internacionalização”.
O documento menciona a conversa com Graeff na calçada. “Manifestamos a necessidade de transparência por parte da Fapesp e defendemos a revogação imediata das medidas que atingem diretamente estudantes de graduação e pós-graduação. Também exigimos que a Fundação emita uma nota pública de esclarecimento à comunidade acadêmica e à sociedade paulista, explicitando os critérios, dados e fundamentos que embasaram as alterações”, diz o documento.
De acordo com a nota, entre as poucas informações apresentadas sobre os motivos das drásticas mudanças no programa, “foi mencionado que, estatisticamente, apenas 15% dos estudantes de graduação que realizam estágio no exterior seguem para a pós-graduação”.
“Também foi informado que a quantidade de bolsas de iniciação científica e mestrado será mantida, mas deixará de existir a possibilidade de conversão dessas bolsas em BEPE, como previsto na resolução anterior. Segundo o representante da Fundação, não houve corte na quota-parte do orçamento da Agência”, prossegue o comunicado.
O representante da Fapesp afirmou que há “uma preocupação interna com sua sustentabilidade orçamentária diante da transição do modelo de financiamento decorrente da reforma tributária”.
Vale lembrar que a fundação recebe 1% da receita tributária do Estado de São Paulo, conforme determina o artigo 271 da Constituição Estadual de 1989.
Graeff disse ainda que “uma parcela crescente do orçamento da Fapesp está comprometida com bolsas, em comparação aos recursos destinados a projetos de pesquisa — uma das finalidades centrais da Agência”. “Essa situação reforça a necessidade de debate público e transparente sobre as prioridades orçamentárias da Fundação”, defendem os(as) estudantes.
“A posição das entidades foi clara: a baixa adesão de estudantes de iniciação científica à pós-graduação não pode ser utilizada como justificativa para extinguir essa oportunidade. A experiência internacional também integra o processo formativo desses estudantes, amplia horizontes acadêmicos e profissionais e contribui para a própria formação de novos pesquisadores”, diz o comunicado.
“Da mesma forma, a preocupação com a sustentabilidade orçamentária da Agência se torna contraditória quando confrontada com a prioridade dada a megaprojetos de internacionalização. Não se pode financiar uma política de centros internacionais restringindo justamente o acesso dos estudantes paulistas à experiência internacional”, prosseguem as entidades.
Os(as) representantes reiteraram a “solicitação de uma reunião com a Presidência da Fapesp, para que possamos acessar os dados, compreender os detalhes que levaram a essas mudanças e discutir alternativas que preservem a formação e a internacionalização dos estudantes de graduação e pós-graduação do estado de São Paulo”.
Até a tarde desta segunda-feira (31), não havia nenhuma publicação ou nota a respeito do tema nos canais de comunicação da Fapesp.
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