O Conselho Universitário (Co) da USP aprovou, em sessão realizada na última terça-feira (dia 30 de junho), a tabela de vagas dos cursos de graduação da universidade para o vestibular de 2027. Não houve alteração no número total de vagas oferecidas (11.147), mas sim alguns remanejamentos, com alterações em cursos da Escola Politécnica, do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME) e da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA).

A universidade oferece três formas de ingresso para os(as) novos(as) estudantes: o vestibular da Fuvest, o Enem-USP e o Provão Paulista, avaliação seriada para alunos(as) da rede pública do estado.

Na sessão do Co, a representante discente Ekop Novis dos Santos, aluna da Faculdade de Direito (FD), lamentou que as alterações ainda não incluam a adoção de cotas trans na universidade. A estudante também criticou o fato de que em seu período de dois anos no conselho, que agora se encerra, não tenha tido a oportunidade de ver a USP debater o tema, ao contrário do que já ocorreu na Unicamp, na Unesp e em diversas universidades federais do país.

Depois de citar dados que revelam a violência praticada contra pessoas trans no Brasil, Ekop falou de sua própria experiência.

“Estudo na FD e sou a única pessoa trans da minha sala. Sei como é ser a única entre 120 pessoas e como é cavar esse espaço para você mesma. Apesar disso, ainda sou uma das sortudas. Primeiro, porque entrei, porque consegui desfrutar das oportunidades que esta universidade me dá. Segundo, porque estou viva. Muitas de nós são assassinadas ou são ‘suicidadas’ porque não têm as oportunidades de arranjar um emprego, de estudar, são expulsas de casa”, relatou.

Como parte do acordo do final da greve estudantil, a USP se comprometeu a pautar a discussão da adoção de cotas trans e indígenas na Câmara de Cursos e Ingresso (CCI) do Conselho de Graduação (CoG), com a participação de alunos(as) convidados(as). A CCI deve debater o assunto em reunião no dia 31 de agosto.

Ekop afirmou que o movimento estudantil vai se manter atento às deliberações a respeito do tema e não descartou novas mobilizações caso as propostas não contemplem os interesses dos(as) discentes.

Na Unicamp, vestibular de 2026 já teve reserva de vagas

Na Unesp, também como fruto das negociações para encerramento da greve estudantil, a Reitoria se comprometeu em reunião com discentes no dia 24 de junho a encaminhar aos órgãos colegiados uma minuta para adoção da reserva de vagas elaborada pela Frente por Cotas Trans da universidade.

De acordo com o DCE “Helenira Resende” da Unesp, o compromisso assumido pela Reitoria e pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade é de estudar a viabilidade da adoção das cotas trans para o vestibular de 2027.

Na Unicamp, o Conselho Universitário da Unicamp (Consu) aprovou por unanimidade em 2025 a instituição do sistema de reserva de vagas em cursos de graduação para pessoas que se autodeclaram trans, travestis ou não-binárias.

O modelo, adotado já no último vestibular, determina que os cursos com até 30 vagas regulares devem ofertar, no mínimo, uma vaga regular ou adicional para essa população. Após cinco anos da abertura das primeiras vagas, será realizada uma análise dos resultados da política.

A proposta levada ao conselho foi resultado da articulação entre movimentos sociais, discentes e a Reitoria, a partir de acordo firmado após a greve estudantil de 2023.

EXPRESSO ADUSP


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