Universidade
Encerrada a data-base, seguimos mobilizados contra o arrocho salarial e pelo financiamento das universidades estaduais paulistas
A Adusp reconhece o encerramento da data-base deste ano, diante do esgotamento, neste momento, das possibilidades de avançar no índice de reajuste salarial apresentado pelo Cruesp. Graças à pressão do Fórum das Seis conseguimos mover o Cruesp da proposta inicial de 0% para 2%, depois 3,47% e por fim 3,92% que no entanto, é necessário registrar, ficou abaixo da inflação medida pelo IPCA (4,39%).
Temos, assim, nova perda do poder de compra dos salários docentes, que se soma às perdas acumuladas desde 2012, cuja recuperação tem sido uma reivindicação central da categoria e uma das principais pautas de mobilização dos últimos anos. Apesar do pequeno acréscimo obtido na última reunião de negociação com o Cruesp (de 3,47% para 3,92%), cabe ressaltar a importância de contribuir para romper a resistência dos reitores em manter o índice Fipe como referência de inflação na negociação.
A greve docente de dez dias, realizada neste período, teve como saldo político a realização de duas reuniões: uma com a Reitoria da USP e outra do Fórum das Seis com o Cruesp. Esta segunda foi fruto de um esforço mais amplo de mobilização das três categorias nas três universidades estaduais paulistas, que garantiu um pequeno avanço salarial e inclui uma possível negociação com o Fórum das Seis no segundo semestre, a depender da evolução da arrecadação a ser acompanhada junto aos técnicos do Cruesp.
Além disso, nossa mobilização levou à formação da Comissão Permanente de Mobilização, que terá como tarefa organizar uma agenda de atividades para o segundo semestre sobre diversos temas como permanência estudantil, democratização das instâncias de decisão — incluindo o fim da lista tríplice —, ampliação da diversidade do corpo docente e, com destaque especial, a manutenção da autonomia e definição de nova forma de financiamento das universidades estaduais paulistas.
A reforma tributária recoloca em novos termos o debate sobre o financiamento das universidades estaduais paulistas. Será fundamental garantir que a transição para o novo modelo tributário preserve e fortaleça o financiamento das universidades estaduais paulistas, assegurando sua autonomia e as condições necessárias para que cumpram plenamente seu papel público.
Para isso, será preciso organizar, ao longo do próximo período, grande pressão pela mudança da base de cálculo dos repasses. O novo financiamento deve levar em conta a expansão significativa das três universidades nas últimas décadas, com atenção especial à situação da Unesp, que se encontra hoje fortemente subfinanciada.
Uma vez encerrada a data-base, a Adusp retomará também a cobrança de pautas específicas da categoria docente. Entre elas, destaca-se o pagamento retroativo dos valores referentes aos quinquênios e às sextas-partes congelados durante a pandemia, conforme previsto na Lei Complementar 226/2026. Em reunião da Diretoria da Adusp com a Reitoria, foi-nos assegurado que a Universidade reconhece esses valores como devidos e que, portanto, devem ser pagos. A Adusp seguirá cobrando a definição de prazos e procedimentos para que esse direito seja efetivamente garantido à categoria.
Por fim, reafirmamos nossa defesa da não punição dos estudantes mobilizados e cobramos a apuração das responsabilidades pela violência cometida pela Polícia Militar durante a desocupação da Reitoria, em 10 de maio de 2026.
Comissão Permanente de Mobilização da Adusp, 12/6/26
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