Nesta quinta-feira, 7 de maio, vinte representantes discentes (RDs) no Conselho Universitário (Co) e demais conselhos centrais da USP — de Graduação (CoG), de Cultura e Extensão (CoCEX), de Pertencimento e Inclusão (CoIP), de Pesquisa e Inovação (CoPI) e de Pós-Graduação (CoPGr) — divulgaram uma enfática declaração de “apoio ao Comando de Greve da USP e à Greve Estudantil de 2026”, em que exigem a reabertura da mesa de negociações com os estudantes. “Essa é uma condição-chave e indispensável para a manutenção de um ambiente democrático, marca da USP enquanto instituição pública de ensino, pesquisa, extensão e vivência universitária”, diz o pronunciamento dos RDs.

A declaração dos RDs reitera o apoio a todas as demandas do corpo estudantil, “muitas de caráter emergencial, como a situação dos bandejões e da moradia estudantil”, destacando ainda, na questão da moradia, a necessidade de planejamento de ações de médio e longo prazo, “envolvendo a construção de conjuntos residenciais estudantis nos campi que ainda carecem de uma estrutura do tipo, destacadamente na USP Leste – EACH”.

Os signatários cobram da Reitoria atitudes efetivas no tocante ao Hospital Universitário (HU) e também aos Hospitais das Clínicas de São Paulo e de Ribeirão Preto (que atualmente são autarquias estaduais desvinculadas da USP e controladas por fundações privadas): “Compromissos concretos com medidas de valorização do Hospital Universitário e dos Hospitais das Clínicas da USP são urgentes, bem como a correta avaliação e consequente extinção do programa Experiência HC, criado à revelia da comunidade estudantil e de servidores e que vende a USP cada vez mais à lógica de mercado, negociando a saúde e vida humanas, sem o menor escrúpulo”.

No documento, os RDs criticam o “pequeníssimo esforço da Reitoria, com o aumento mínimo no PAPFE [Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil]”, esforço esse que a seu ver “ainda passa longe” de ter cabimento “enquanto política de permanência baseada nas condições reais de vida” em São Paulo.

“Reiteramos nosso apelo para que o PAPFE [o valor das bolsas] chegue a, pelo menos, um Salário Mínimo Paulista. Se a nossa universidade exige e preza por excelência acadêmica, ela deve dar condições de vida para tal. Como esperar excelência acadêmica de estudantes que mal conseguem pagar o aluguel? Assim, a USP apenas gera um ambiente de insegurança e instabilidade material, psicológica e emocional — que, diga-se de passagem, em nada contribui para o desenvolvimento do tripé ensino, pesquisa e extensão”.

Os RDs condenam, igualmente, as ameaças veladas aos e às estudantes em greve, anunciadas pela Pró-Reitoria de Graduação (PRG) com a anuência da Reitoria: “Não é cabível que, mesmo após duas semanas desde a primeira mesa de negociações, não tenha sido firmado um acordo de não-retaliação por parte da Universidade. A greve é legítima, decidida em cada localidade pelos seus respectivos corpos estudantis, via participações massificadas em assembleias por todos os campi. As reivindicações estudantis são justas e necessárias para a boa manutenção das condições de estudo e permanência”, sustentam eles.

Leia a seguir a íntegra do pronunciamento e a relação de signatários.

Posicionamento dos Representantes Discentes dos Conselhos Centrais

Os Representantes Discentes dos Conselhos Centrais da Universidade de São Paulo abaixo assinados, munidos de suas atribuições enquanto porta-vozes de todos os estudantes da “maior da América Latina” perante a Reitoria e as pró-reitorias, vêm prestar apoio ao Comando de Greve da USP e à Greve Estudantil de 2026 e exigir a reabertura da mesa de negociações com os estudantes. Essa é uma condição-chave e indispensável para a manutenção de um ambiente democrático, marca da USP enquanto instituição pública de ensino, pesquisa, extensão e vivência universitária.

Nesta toada, reiteramos o apoio a todas as demandas do corpo estudantil, muitas de caráter emergencial, como a situação dos bandejões e da moradia estudantil, por todos os campi. Sobre moradia, inclusive, ressaltamos a necessidade de não só serem feitas medidas de curto prazo, mas que sejam planejadas ações de médio e longo prazo, envolvendo a construção de conjuntos residenciais estudantis nos campi que ainda carecem de uma estrutura do tipo, destacadamente na USP Leste – EACH.

Também vemos como de extrema importância que o diálogo entre instituição e discentes se mantenha na discussão e implementação das propostas aceitas e divulgadas pela Reitoria, destacadamente, no âmbito das cotas trans, cotas para pessoas com deficiência e vestibular indígena — e em políticas de permanência e acolhimento — e na mobilidade intra e intercampi, com linhas gratuitas (que aceitem BUSP) e incentivo à mobilização ativa (a pé e de bicicleta).

Compromissos concretos com medidas de valorização do Hospital Universitário e dos Hospitais das Clínicas da USP são urgentes, bem como a correta avaliação e consequente extinção do programa Experiência HC, criado à revelia da comunidade estudantil e de servidores e que vende a USP cada vez mais à lógica de mercado, negociando a saúde e vida humanas, sem o menor escrúpulo. Acrescentamos a necessidade de observar criticamente as (péssimas) condições de acessibilidade por todos os campi, com a formação de um Grupo de Trabalho que cobre e incentive melhorias nas unidades, afinal, uma universidade democrática e pública deve dar condições de participação e acolhimento a todos, não podendo tomar nenhuma condição preexistente como barreira intransponível.

O pequeníssimo esforço da Reitoria, com o aumento mínimo no PAPFE, ainda passa longe de ter qualquer cabimento enquanto política de permanência baseada nas condições reais de vida em São Paulo. Reiteramos nosso apelo para que o PAPFE chegue a, pelo menos, um Salário Mínimo Paulista. Se a nossa universidade exige e preza por excelência acadêmica, ela deve dar condições de vida para tal. Como esperar excelência acadêmica de estudantes que mal conseguem pagar o aluguel? Assim, a USP apenas gera um ambiente de insegurança e instabilidade material, psicológica e emocional — que, diga-se de passagem, em nada contribui para o desenvolvimento do tripé ensino, pesquisa e extensão.

No âmbito da pós-graduação, trazemos a preocupação com a escassez de bolsas de pesquisa e seus valores insuficientes para a dedicação integral de pesquisadores. Registramos a indignação com editais de bolsas de mestrado e doutorado propostos pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação que não contemplam o período completo do curso.

Trazemos ainda, com especial destaque, a exigência urgente de mudança da postura da Reitoria e da Pró-Reitoria de Graduação quanto à greve. Não é cabível que, mesmo após duas semanas desde a primeira mesa de negociações, não tenha sido firmado um acordo de não-retaliação por parte da Universidade. A greve é legítima, decidida em cada localidade pelos seus respectivos corpos estudantis, via participações massificadas em assembleias por todos os campi. As reivindicações estudantis são justas e necessárias para a boa manutenção das condições de estudo e permanência.

Com isso, questionamos: é verdadeiramente democrático e aberto o posicionamento de simplesmente fingir que nada está acontecendo e reiterar uma diretriz autoritária de que não haverá abono de falta ou adaptações de calendário? É democrático abrir margem para processos administrativos contra estudantes que estão apenas defendendo o direito de todo o corpo estudantil à alimentação e permanência dignas? Atitudes como essas partem de um entendimento equivocado: uma greve não ocorre por mera vontade de estudantes; mas, sim, por necessidade e esgotamento de todas as demais instâncias de reivindicação — nos conselhos e comissões locais de cada instituto e gerais da USP. A greve ocorre enquanto última medida para chamar a atenção da instituição e promover o tão necessário diálogo em torno de demandas há muito ignoradas ou postergadas.

Portanto, se é do interesse da Reitoria que a greve não se prolongue, o melhor a fazer é retomar o diálogo e a mesa de negociações, dando ouvidos verdadeiros aos apelos estudantis, que sofrem, dia a dia, por falta de condições básicas na “melhor da América Latina”. Somente com avanços conjuntos é possível pensar em um justo fim para a greve.

Sem mais, RDs dos Conselhos Centrais da USP

Azri Pessoa – FFLCH – RD da CoIP

Beatrice Mennitti dos Santos – FFLCH – RD da CoIP

Bruna Luiza Castilho Rossoni – FD – RD do CoCEX

Carlos Eduardo Borba Costa – EACH – RD do CoCEx

Carolina Bianchini Bonini – FFLCH – RD do CoIP e do CoPI

Charlon Fernandes Monteiro – FFLCH – RD do Co

Diego Roiphe de Castro e Melo – POLI – RD do CoG

Ekop Novis dos Santos – FD – RD do Co

Felipe Scalise – Ciências Moleculares – RD do CoG

Francisca Paludetto Silva Sarto – FE – RD do CoG

Giulia Baffini Santana – EACH – RD do Co

Giovana Oliveira Alves Santos – IQ – RD do Co

Henrique de Andrade D’Ambrosio Retti – ICB/IO – RD do Co, CoIP, CoPI, CAA e CP

Hugo César da Silva – FFLCH – RD do CoIP e do CoCEX

Isabella Megara – ECA – RD do CoG

Julia Emmilyn Almeida da Silva – FFLCH – RD do CoIP

Júlia Urioste L. Souza – FFLCH – RD do Co

Juliana Lopes Chaves Fiorese – IRI – RD do Co

Link Zhang – IME – RD do CoG

Lucca Gidra – FEA – RD do Co

Matheus Lucas Median Amorim – IQ – RD do CoIP

Sky Deneuve Morena Ruzon – IME – RD do CoIP

Vinicius Alvarenga e Veiga – FD – RD do Co, CoPGr e Congregação

Vitor Hugo Antonio de Aquino – FFLCH – RD do CoG

Wanderley de Souza Neto – IRI – RD do CoCEX

EXPRESSO ADUSP


    Se preferir, receba nosso Expresso pelo canal de whatsapp clicando aqui

    Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!