Universidade
“Retirada forçada de estudantes por meio de ação policial representa grave escalada”, dizem presidências de 28 Comissões de Inclusão e Pertencimento; conflito requer “diálogo, escuta qualificada e mediação”
As presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento de vinte oito unidades de ensino e museus da universidade emitiram nota, no domingo (10 de maio), em que manifestam “profunda preocupação e veemente repúdio à violência praticada contra estudantes da USP no contexto da desocupação do prédio da Reitoria”, medida efetuada, naquela mesma data, por uma tropa da Polícia Militar.
“A retirada forçada de estudantes, realizada por meio de ação policial, representa grave escalada de um conflito que deveria ser enfrentado no âmbito da própria Universidade por meio do diálogo, da escuta qualificada, da mediação institucional e da construção democrática de soluções”, assinalam as signatárias. “A presença da força policial como resposta a reivindicações estudantis não pode ser naturalizada como instrumento legítimo de resolução de conflitos universitários”.
Independentemente “das distintas posições acerca da ocupação e dos acontecimentos recentes”, ponderam, “reafirmamos que a integridade física, psicológica e moral das pessoas que compõem a comunidade universitária deve ser protegida em qualquer circunstância”, acrescentando que o respeito à dignidade humana, ao direito de livre manifestação, à organização coletiva e à participação política é condição fundamental para a vida acadêmica e para a missão pública da Universidade.
“A Universidade de São Paulo, como instituição pública, plural e comprometida com o ensino, a pesquisa, a extensão, a inclusão e a permanência estudantil, deve ser espaço de convivência democrática, capaz de acolher conflitos e dissensos sem recorrer à intimidação, à repressão ou à criminalização de estudantes. Diante da gravidade da situação, conclamamos à retomada urgente do diálogo e da negociação, com respeito mútuo, responsabilidade institucional e compromisso com a superação democrática do impasse”.
As presidências das comissões consideram igualmente fundamental “que os acontecimentos e violações sejam devidamente apurados, com transparência e garantia de direitos humanos”, e lembram que têm como princípio “a defesa de uma Universidade mais justa, diversa, democrática e acolhedora”. Por essa razão, reafirmam os compromissos com a dignidade humana, com o direito à livre manifestação e com a institucionalidade democrática “como fundamentos indispensáveis da vida universitária”.
A seguir a íntegra do documento.
Nota pública das Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da USP
As Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento da Universidade de São Paulo, das Unidades signatárias desta nota, manifestam profunda preocupação e veemente repúdio à violência praticada contra estudantes da USP no contexto da desocupação do prédio da Reitoria. A retirada forçada de estudantes, realizada por meio de ação policial, representa grave escalada de um conflito que deveria ser enfrentado no âmbito da própria Universidade por meio do diálogo, da escuta qualificada, da mediação institucional e da construção democrática de soluções. A presença da força policial como resposta a reivindicações estudantis não pode ser naturalizada como instrumento legítimo de resolução de conflitos universitários.
Independentemente das distintas posições acerca da ocupação e dos acontecimentos recentes, reafirmamos que a integridade física, psicológica e moral das pessoas que compõem a comunidade universitária deve ser protegida em qualquer circunstância. O respeito à dignidade humana, ao direito de livre manifestação, à organização coletiva e à participação política é condição fundamental para a vida acadêmica e para a missão pública da Universidade. A Universidade de São Paulo, como instituição pública, plural e comprometida com o ensino, a pesquisa, a extensão, a inclusão e a permanência estudantil, deve ser espaço de convivência democrática, capaz de acolher conflitos e dissensos sem recorrer à intimidação, à repressão ou à criminalização de estudantes.
Diante da gravidade da situação, conclamamos à retomada urgente do diálogo e da negociação, com respeito mútuo, responsabilidade institucional e compromisso com a superação democrática do impasse. Também consideramos fundamental que os acontecimentos e violações sejam devidamente apurados, com transparência e garantia de direitos humanos. As Comissões de Inclusão e Pertencimento têm como princípio a defesa de uma Universidade mais justa, diversa, democrática e acolhedora. Por isso, reafirmamos nosso compromisso com a dignidade humana, com o direito à livre manifestação e com a institucionalidade democrática como fundamentos indispensáveis da vida universitária.
Assinam essa nota as Presidências das Comissões de Inclusão e Pertencimento das seguintes unidades:
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Escola de Comunicações e Artes
Escola de Enfermagem
Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto
Escola Politécnica
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design
Faculdade de Ciências Farmacêuticas
Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto
Faculdade de Medicina
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Faculdade de Saúde Pública
Instituto de Arquitetura e Urbanismo
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação
Instituto de Física
Faculdade de Direito de São Paulo (Largo São Francisco)
Instituto de Geociências
Faculdade de Educação
Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação
Faculdade de Economia, Administração е Contabilidade de Ribeirão Preto
Instituto Oceanográfico
Instituto de Psicologia
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
Instituto de Química
Museu de Arqueologia e Etnologia
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Museu de Arte Contemporânea
Museu Paulista
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