Universidade
Pressionada por forte mobilização dos(as) funcionários(as), Reitoria apresenta proposta de gratificação à categoria pelo mesmo período da GACE

A forte mobilização dos(as) servidores(as) técnico-administrativos(as) da USP, que entraram em greve na última terça-feira (14 de abril), levou a Reitoria a convocar uma reunião de negociação já nesta quinta-feira (16), apenas o terceiro dia de uma paralisação que atingiu mais de 30 unidades na capital e no interior, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).
Uma comissão de representantes do Sintusp, eleita em assembleia geral da categoria, foi recebida pela cúpula da Administração Central. Estavam presentes o reitor Aluísio Segurado, a vice-reitora Liedi Bernucci, a coordenadora da Coordenadoria de Administração Geral, Adriana Marotti de Mello, o chefe de gabinete da Reitoria, Edmilson Dias de Freitas, e outros(as) integrantes da alta hierarquia da USP.
Antes da reunião e durante a realização do encontro, uma grande manifestação de funcionários(as) e estudantes ocorreu em frente ao prédio da Reitoria.

A comissão de trabalhadores(as) solicitou que a representação estudantil pudesse participar da reunião, mas a Reitoria não admitiu. Os(as) estudantes organizaram uma paralisação na terça-feira e em assembleias realizadas em várias unidades e campi aprovaram entrar em greve a partir da próxima quarta-feira (22).
De acordo com o relato do Boletim do Sintusp, houve uma tentativa inicial da Reitoria “de seguir com a postura de apenas justificar as suas ações”. A representação da categoria foi enfática “em destacar as causas da greve, em especial o tema da isonomia, que foi o estopim que fez o movimento acontecer”. Houve então um intervalo e, no retorno, a Reitoria apresentou três propostas, chamadas por ela de “ações”.

As propostas são as seguintes:
1) concessão de uma gratificação para todos(as) os(as) funcionários(as), a ser paga mensalmente pelo mesmo período em que vigorar a “Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas” (GACE) para os(as) docentes, ou seja, por dois anos, havendo possibilidade de prorrogação por mais dois. O valor por servidor(a) será estabelecido pela divisão, pelo número de funcionários(as), do montante total definido para docentes. “Ou seja, se o montante total for R$ 238 milhões por ano (conforme estimado no projeto da GACE), daria algo em torno de R$ 1.600,00 por funcionário”, diz o Boletim do Sintusp. Essa gratificação começaria a ser paga no mesmo momento em que se iniciar o pagamento para os docentes, previsto para o início de 2027;
2) a Reitoria deve oficializar por meio da Comissão Permanente de Relações do Trabalho (Copert) um compromisso de abonar as horas das “pontes” e do recesso de final de ano;
3) em relação à demanda de concessão do Bilhete USP (BUSP) para os(as) trabalhadores(as) terceirizados(as), a Reitoria alegou que não seria possível fornecer o cartão por razões legais, mas se comprometeu a criar um mecanismo de transporte interno com gratuidade no câmpus e mantendo o contrato com a SPTrans para os circulares que vão até a Estação Butantã do Metrô.
A Reitoria deixou claro que a implementação dessas “ações” está condicionada ao fim da greve.
A representação dos(as) trabalhadores(as) respondeu que a decisão sobre o movimento será tomada em assembleia geral da categoria, a ser realizada na quarta-feira (22), após o feriado. O Sintusp requereu uma reunião com a Reitoria no mesmo dia, para comunicar a deliberação da assembleia,
“É fundamental que as reuniões de unidade discutam essas propostas e que mantenhamos nosso movimento organizado para decidirmos coletivamente na nossa assembleia”, exorta o Boletim do Sintusp.
Procurada pelo Informativo Adusp Online por meio da Assessoria de Imprensa, a Reitoria da USP não se manifestou sobre a reunião e as propostas.
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