A Pró-Reitoria de Graduação (PRG) da USP editou no dia 12 de agosto a Portaria PRG nº 5, que institui um Grupo de Trabalho “para elaboração de proposta de política de cotas para pessoas trans e proposta de processo seletivo específico para estudantes indígenas”. O grupo terá 120 dias para entregar um relatório à PRG.

A constituição de um GT para discutir esses temas foi uma das reivindicações da greve estudantil deflagrada no primeiro semestre.

O grupo terá a coordenação do professor Luiz Carlos Garcia, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP). A representação do movimento trans terá as professoras Gabrielle Weber Martins, da Escola de Engenharia de Lorena (EEL), como titular, e Julia Lenzi Silva, da Faculdade de Direito (FD), como suplente. Ekop Novis dos Santos será a representante discente titular, e Sô Sanz Farias, o suplente.

A representação do movimento indígena terá a professora Fernanda Mendonça Pitta, do Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP), e o aluno Matheus Lucas Median Amorim.

De acordo com a portaria, compete ao GT “realizar estudos e levantamentos sobre políticas de ações afirmativas destinadas ao ingresso de pessoas trans e de estudantes indígenas no ensino superior”; “analisar experiências e modelos adotados por outras instituições de ensino superior, no Brasil e no exterior, quando pertinentes”; “promover o diálogo com segmentos da comunidade universitária e movimentos sociais relacionados às temáticas trans e indígena”; “elaborar proposta de política de cotas destinada a pessoas trans para ingresso nos cursos de graduação da Universidade de São Paulo”; e “elaborar proposta de processo seletivo específico e/ou vestibular destinado a estudantes indígenas para ingresso nos cursos de graduação da Universidade de São Paulo”.

A professora Gabrielle Weber disse ao Informativo Adusp Online que o GT terá “um trabalho extremamente árduo pela frente considerando a sensibilidade dos temas e a necessidade de convencermos o conservadorismo entranhado em nossa universidade da urgência da aprovação de cotas para pessoas trans e de um processo seletivo específico para estudantes indígenas na graduação”.

“É simultaneamente uma honra e uma tremenda responsabilidade participar desse grupo de trabalho, e espero que possamos contribuir para que a USP deixe de seguir tendência e passe a ser referência quando o assunto é diversidade e inclusão”, prossegue a docente, que estará licenciada do cargo de diretora regional da Adusp em Lorena enquanto estiver participando do GT. “Não podemos permitir que a USP repita a vergonha de ter sido a última universidade a aprovar cotas raciais”.

Um panorama do cenário da adoção de cotas trans nas universidades brasileiras foi traçado pela professora em artigo publicado no Jornal da USP em março do ano passado.

EXPRESSO ADUSP


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