Universidade
Suspender a Greve, manter a Luta!
No dia 25 de maio de 2026, a Assembleia Geral da Adusp aprovou uma greve em defesa de reivindicações legítimas da categoria docente e da universidade pública. Entre elas estavam a recuperação das perdas salariais acumuladas nos últimos anos, a reabertura das negociações entre o Cruesp e o Fórum das Seis e a retomada do diálogo entre a Reitoria e os estudantes da USP.
Após pouco mais de uma semana de mobilização, a Assembleia Geral reunida em 3 de junho avaliou os resultados alcançados e deliberou pela suspensão da greve. Nesse período, o movimento cumpriu um papel importante ao recolocar no centro do debate universitário temas como valorização do trabalho, permanência estudantil, financiamento e democracia universitária.
Entre os resultados alcançados, destaca-se a reabertura das negociações entre o Cruesp e o Fórum das Seis. Essa conquista resultou de um esforço conjunto das entidades que compõem o Fórum e que estiveram mobilizadas em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras das universidades públicas paulistas. Embora a pauta salarial permaneça em aberto, a retomada das negociações representa um avanço concreto e cria melhores condições para a continuidade da luta pela recomposição salarial e pela valorização das categorias.
Seguindo deliberação da assembleia, a Adusp solicitou e realizou uma reunião com a Reitoria pela reabertura de negociações. A reunião tratou de três tópicos: a relação institucional entre a entidade e a administração central, a pauta salarial e a necessidade de reabertura das negociações com os estudantes em greve. Avaliamos que houve avanços nos dois primeiros temas, incluindo o fortalecimento dos canais de diálogo e a reafirmação da necessidade de avanços salariais diante de um reajuste inferior à inflação oficial. No entanto, não houve avanços quanto à retomada das negociações com os estudantes, uma vez que a Reitoria manteve o entendimento de que já havia realizado todas as concessões possíveis.
A suspensão da greve docente não altera nossa avaliação sobre a legitimidade das reivindicações estudantis, especialmente aquelas relacionadas à permanência estudantil. Reafirmamos nossa oposição a qualquer forma de criminalização, punição ou retaliação aos estudantes. Solicitamos aos(às) docentes que atuem com sensibilidade neste período, evitando medidas que possam constranger estudantes em greve ou aqueles em retomada das aulas. Cabe aos estudantes, de forma autônoma, decidir os rumos de sua mobilização, e cabe à Adusp respeitar essas decisões.
A Assembleia Geral também considerou a necessidade de preservar as condições para a conclusão do semestre letivo. Entendemos que, uma vez superado o atual conflito, será necessário construir mecanismos de reorganização do calendário acadêmico e de reposição das atividades que minimizem os prejuízos aos(às) estudantes, compatibilizando as exigências acadêmicas com essas circunstâncias excepcionais.
A suspensão da greve não significa desmobilização nem renúncia às pautas que motivaram o movimento. Seguiremos defendendo a recomposição do poder de compra de nossos salários, a reposição dos claros docentes e o fortalecimento da permanência estudantil. A Assembleia Geral deliberou ainda pela criação de uma Comissão Permanente de Mobilização, responsável por promover debates sobre os desafios colocados pelas reformas previdenciárias; a autonomia universitária e o financiamento das universidades diante da reforma tributária; a ampliação da diversidade no corpo docente e o acesso de docentes negras e negros, e docentes indígenas, à carreira acadêmica; e o aperfeiçoamento da democracia universitária.
Iniciamos, assim, uma nova etapa de mobilização em defesa de uma universidade pública mais democrática, inclusiva e socialmente comprometida.
Comissão Permanente de Mobilização da Adusp
8 de junho de 2026
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