HRAC

  • Ataque do diretor da FOB “configura ato de má-fé, injúria e difamação”, diz ex-coordenador do curso de Medicina de Bauru

    José Sebastião dos Santos declarou aoInformativo Adusp que o propósito das acusações que vem recebendo é desqualificar sua atuação, de modo a “encobrir um plano conspiratório e atender aos interesses políticos e econômicos que permeiam a implantação do Curso de Medicina e do [futuro] Hospital das Clínicas de Bauru”

    As declarações por meio das quais o diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), professor Carlos Ferreira dos Santos, atribui ao professor José Sebastião dos Santos a responsabilidade pelo atraso nas contratações de professores e pela demora em firmar convênio que garantisse aos alunos estágio em hospitais representam, na opinião do ex-coordenador do curso de Medicina da unidade, “a tentativa de buscar uma narrativa para justificar suas decisões autocráticas”.

    Questionado pelo Informativo Adusp quanto aos comentários do diretor da FOB, Sebastião reagiu com veemência: “O ataque pessoal ao trabalho de dois anos na FOB e HRAC/USP configura um ato de má-fé, injúria e difamação e queiram ou não, a verdade dos fatos não pode ser alterada”.

    No entender do docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), o propósito das acusações que lhe são dirigidas “é tentar desqualificar o ex-coordenador para encobrir o plano conspiratório e atender aos interesses políticos e econômicos que permeiam a implantação do Curso de Medicina e do Hospital das Clínicas de Bauru”. A conspiração a que o ex-coordenador alude envolveria um retardamento proposital na publicação dos editais de contratação de professores para o curso de Medicina de Bauru.

    “Conforme já é de conhecimento público”, prosseguiu Sebastião no texto enviado ao Informativo Adusp, no qual faz um retrospecto de suas ações como coordenador do curso de Medicina de Bauru, “o Diretor da FOB-USP tornou-se, recentemente, membro do Conselho de Administração da Famesp, que é o órgão de deliberação superior e de controle da administração [daquela fundação privada] e ao assumir também a superintendência do HRAC-USP e futuro Hospital das Clínicas terá que lidar com conflitos de interesse”.

    Ainda segundo Sebastião, a Diretoria da FOB “sabe que a acomodação desses interesses trará dificuldades operacionais para a continuidade do desenvolvimento do Curso de Medicina no seu padrão atual, manter a retomada das atividades do HRAC/Centrinho e a implantação do Hospital das Clínicas de acordo com os fundamentos do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

    Medidas adotadas quando coordenador do curso de Medicina

    Ele lembrou que o coordenador do Curso de Medicina de Bauru “é subordinado ao Diretor da FOB” e que suas atribuições, “em conjunto com a equipe de docentes constituída para desenvolver o Curso, estão relacionadas ao planejamento das atividades de ensino, à solicitação dos recursos necessários, à execução com os recursos disponibilizados e ao replanejamento em função de circunstâncias adversas”.

    No texto enviado, Sebastião documenta as medidas que adotou quando coordenador do curso de Medicina de Bauru: “Cumpre esclarecer que foram solicitadas adequações para Ambientes de Ensino, em 30/8/2018, processo USP 18.1.4278.25.8, bem como a solicitação de contratação de docentes realizada por meio de ofício FOB-USP, de 13/2/2019, processo USP 2019.1336.25.4”.

    Em seguida, porém, ele reitera a denúncia que já havia feito ao Informativo Adusp e a meios de comunicação de Bauru: “Todavia, os pleitos não prosperaram e, estranhamente, logo após exposição recente dos conflitos, com a subsequente exoneração da Coordenação, a FOB-USP autorizou a abertura dos editais para contratações docentes no dia 12/6/2019”.

    Quanto aos convênios destinados à realização de estágios para os alunos do curso, diz que antes mesmo do início do curso “apontamos também para a FOB a necessidade de formalização de convênios para a utilização da Rede de Saúde do Município e do Estado, em Bauru, de acordo com o preconizado pelas Diretrizes Curriculares e o Projeto Pedagógico do Curso”.

    O convênio com o município, esclarece, está em vigência, “tanto é que frequentamos os serviços municipais de saúde desde o primeiro dia do Curso”, como previsto na programação dos três semestres iniciais. “A necessidade de estágio hospitalar regular ocorrerá a partir do segundo semestre do ano de 2019 e, também, foi objeto de alerta à FOB desde o início”.

    Processo de convênio ficou parado mais de um ano na Famesp

    Ele rejeita a acusação de haver retardado a conclusão de convênio com a Famesp, elencando providências tomadas em fevereiro de 2018. Reproduz mensagem de funcionário do Setor de Convênios da FOB, de fevereiro de 2019, mostrando que o processo “ficou parado por mais de um ano” na própria Famesp, depois que esta recebeu minuta de convênio remetida pela faculdade. Só naquele momento é que o diretor da FOB solicitou “reativação da tramitação da proposta”, como consta da mensagem citada.

    “Nesse contexto”, afirma Sebastião, “o Diretor da FOB assume o seu papel, solicita reativação da tramitação da proposta de convênio e agora diz que a culpa por falta de tramitação do convênio com a Famesp é do coordenador exonerado [o próprio Sebastião]. O convênio foi solicitado no início de 2018, mas por motivos que cabem à FOB/Famesp explicarem, este assunto ficou parado na área de convênios da FOB e a minuta foi encaminhada para a Famesp em 7/2/2018. Somente um ano depois é que o assunto foi ‘reativado’, ora, se foi reativado é porque já estava em tramitação”.

    Após mencionar que “a competência para tramitação e assinatura dos convênios de estágio é do Diretor da Unidade, sendo necessário o encaminhamento para a Comissão de Graduação, para o Conselho Técnico Administrativo e Procuradoria Geral [da USP]”, o ex-coordenador repetiu sua crítica ao encaminhamento dado ao convênio: “Nesse contexto de dificuldade para estabelecer convênio com a Famesp, o que não ocorreu com o município, pergunta-se ao Diretor da FOB se não é mais razoável fazer convênio com os gestores de direito do Sistema de Saúde (Secretaria de Estado da Saúde/Governo), ao invés das suas Fundações de Apoio ou Organizações Sociais”.

    Sebastião voltou a defender o Curso de Medicina, que se iniciou em fevereiro do ano de 2018: “Cumpre-nos esclarecer que após tentativa de subversão da proposta curricular por pessoas mais conservadoras, apesar de novo, a formação e desenvolvimento dos estudantes no ano de 2018 foi notória e passou a ser objeto de interesse do público interno e externo, inclusive com as apresentações da sua estrutura curricular em diversos eventos. Neste cenário, o curso obteve seu primeiro resultado exitoso no Teste Progresso (avaliação externa). Os estudantes do primeiro ano obtiveram notas acima da média das Faculdades Públicas do Estado de São Paulo”.

    Confira aqui a íntegra do texto encaminhado ao Informativo Adusp pelo professor José Sebastião dos Santos.

  • Sob pretexto de “regulação”, direção do HRAC passa a restringir acesso de novos casos de fissura labiopalatina e anomalias craniofaciais

    Os pacientes só entrarão via CROSS. Ou seja: oCentrinho, que sempre foi um hospital de porta aberta, deixará de ser. Um grande absurdo!”, declarou aoInformativo Adusp Claudia Carrer, funcionária há 27 anos e diretora do Sintusp

    O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru (HRAC, também conhecido como “Centrinho”), vinculado à Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP), anunciou na última sexta-feira (28/6) que a partir de setembro do corrente ano o fluxo de novos casos de fissura labiopalatina e anomalias craniofaciais será feito “mediante regulação, via sistema da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS)” da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). Na prática, a medida impede a procura espontânea do hospital pelos pacientes e restringe o acesso ao HRAC.

    De acordo com a nota publicada no portal do HRAC, a medida foi decidida em conjunto com o Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6) da SES-SP, “neste mês de junho”. Acrescenta que o “acesso de casos novos para saúde auditiva, implante coclear e otorrinolaringologia já é regulado por meio do DRS-6 e da CROSS”. A medida trará dificuldades especialmente para pacientes oriundos de outros Estados, que sempre tiveram fácil acesso ao HRAC.

    “A regulação adequa e aprimora o acesso para as diversas áreas de atuação do HRAC. Agora, os pacientes do Estado de São Paulo poderão ter sua entrada no Hospital a partir de avaliação inicial em unidade básica de saúde, que dará encaminhamento para agendamento via sistema CROSS”, declara, na nota, o professor Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC e diretor da FOB. “Pacientes de outros Estados que forem elegíveis conforme os protocolos e critérios estabelecidos também poderão ser atendidos no HRAC. Nesses casos, após a avaliação inicial em unidade básica de saúde, o trâmite para agendamento será entre a Secretaria da Saúde do Estado de origem do paciente e a SES-SP. O acompanhamento e reabilitação de pacientes que já estão em tratamento no HRAC permanecem normalmente”.

    HRAC não explica o que ocorrerá com pacientes que não sejam “elegíveis”

    Implicitamente, fica evidente que pacientes de outros Estados que não forem “elegíveis conforme os protocolos e critérios estabelecidos” não poderão ser atendidos no HRAC. Além disso, mesmo nos casos considerados “elegíveis”, o assim chamado “trâmite para agendamento entre a Secretaria de Saúde do Estado de origem do paciente e a SES-SP” pode tornar-se um obstáculo para o atendimento de tais pacientes.

    Como parte das deliberações da direção do HRAC em conjunto com o Núcleo Interno de Regulação (NIR), a partir de 2 de setembro de 2019 o acesso de novos casos de fissura labiopalatina e anomalias craniofaciais será limitado a 208 vagas por mês, “todas reguladas via CROSS”, segundo a nota divulgada em 28/6.

    A medida recebeu dura crítica de Claudia Carrer Pereira, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). “Terminada a regulação, os pacientes só entrarão via CROSS e SES-SP, ou seja: o Centrinho, que sempre foi um hospital de porta aberta, deixará de ser. Um grande absurdo!”, declarou Claudia, que é funcionária do HRAC há 27 anos, ao Informativo Adusp.

    Publicado extrato do convênio entre a FOB e a Famesp

    No dia 29/6 (sábado), o Diário Oficial do Estado publicou um extrato do convênio firmado entre a USP e a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), mediante o qual se pretende garantir aos alunos do curso de Medicina da FOB a possibilidade de estágio em hospitais de Bauru. Credenciada como “organização social de saúde” (OSS), aquela fundação privada responde pela gestão de alguns dos principais hospitais públicos da região.

    O extrato traz pouquíssimos dados sobre o convênio: apenas a finalidade (“estágios de estudantes entre a Universidade de São Paulo, no interesse da Faculdade de Odontologia de Bauru”, e a Famesp), a vigência (cinco anos) e os nomes dos signatários. O ex-coordenador do curso de Medicina da FOB, professor José Sebastião dos Santos (FMRP), criticou a iniciativa de firmar convênio com uma organização privada: “O convênio tem que ser com a Secretaria da Saúde, com o SUS”.

    Pela Famesp assinou seu presidente, Antonio Rugolo Jr., que foi secretário-adjunto da SES-SP até poucos meses atrás, na gestão do ex-reitor M.A. Zago e que foi acusado de haver mentido à CPI das Organizações Sociais de Saúde, realizada pela Alesp em 2018. Pela USP assinou o diretor da FOB Carlos Ferreira dos Santos, que está em clara situação de conflito de interesses, pois é membro também do Conselho de Administração da Famesp. No entanto, Ferreira dos Santos declarou ao Informativo Adusp que “em nenhuma deliberação” da FOB ou da Famesp “nos deparamos com questão que eventualmente pudesse incorrer em conflito de interesse” (confira aqui reportagem a respeito do convênio).

  • “Para garantir aulas em hospitais da cidade” aos alunos de Medicina da FOB, diretor assina convênio com a Famesp, “organização social de saúde”

    Professor Carlos Ferreira dos Santos, que dirige a faculdade, está em conflito de interesses porque, ao mesmo tempo, integra o Conselho de Administração daquela fundação privada. O ex-coordenador do curso de Medicina, professor Sebastião dos Santos, reagiu: “É um absurdo fazer convênio com a Famesp, que é uma OSS. O convênio tem que ser com a Secretaria da Saúde”

    A direção da FOB e o novo coordenador do curso de Medicina de Bauru voltaram a dar declarações à mídia local, desta vez para negar mudanças no perfil do curso e, ao mesmo tempo, para anunciar um intrigante convênio com a Famesp, fundação privada credenciada como “organização social de saúde” e que responde pela gestão de hospitais públicos naquele município.

    “Em nova entrevista concedida nessa quinta-feira (27)”, reportou o Jornal da Cidade nesta sexta (28/6), “o diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Ferreira dos Santos, garantiu que o segundo semestre deste ano letivo do curso de Medicina será iniciado ainda em julho, inclusive com a garantia de aulas em hospitais da cidade, por meio de convênio que está prestes a ser firmado com a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp)”.

    De acordo com o diretor, diz ainda o jornal, “o plano de trabalho necessário já foi entregue pelo novo coordenador da Medicina e submetido à Famesp, que já teria acenado com uma pré-aprovação”, de tal modo que “os alunos do segundo ano do curso poderão ter as aulas previstas de atenção integral à saúde, em que examinam pacientes dentro dos hospitais”. Contudo, o convênio deverá abranger também os alunos dos cursos de Odontologia e Fonoaudiologia da FOB.

    Consultado a respeito pelo Informativo Adusp, oex-coordenador do curso de Medicina e ex-superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC, ou “Centrinho”), professor Sebastião dos Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), reagiu: “É um absurdo fazer convênio com a Famesp, que é uma OSS. O convênio tem que ser com a Secretaria da Saúde, com o SUS. Ter que discutir um curso público com uma OSS é um absurdo”. Na sua opinião, a medida é uma “cortina de fumaça para fazer passar outros interesses”.

    Acusações ao professor Sebastião dos Santos, ex-coordenador do curso

    A cúpula da FOB também procurou rebater entrevista publicada no mesmo dia pelo Jornal da Cidade, na qual o professor Gerson Alves Pereira Jr. (FMRP), especialista em educação médica e um dos idealizadores da grade curricular do curso de Medicina da FOB, manifestou preocupação com a possibilidade de alteração do perfil do curso. De acordo com a matéria, “o currículo atual possui metodologia interativa nos quatro ambientes do curso: tutoria (com aprendizagem baseada em problemas), laboratório de habilidades e simulações, atenção integral à comunidade em unidades de saúde (com problematização e aprendizagem baseada em projetos), e sistemas orgânicos integrados (com aplicação de conhecimentos em áreas básicas, como anatomia e bioquímica, para solução de problemas apresentados na tutoria)”.

    Nas palavras do professor Pereira Jr.: “É um currículo que se adequa às necessidades das novas gerações de estudantes. No primeiro dia de aula, eles já vão para as unidades de saúde. Este olhar prático para o que estão aprendendo na teoria, que a gente chama de aprendizagem significativa, faz com que a memória de médio e longo prazo deles seja muito boa”.

    Na conversa com o Jornal da Cidade, o diretor da FOB não mediu palavras para contestar os comentários de Pereira Jr. e negar qualquer movimentação interna para a mudança de perfil do curso ou mesmo sua extinção: “É preciso esclarecer que a verdade sai somente da diretoria da FOB. Todo o resto é mentira”.

    Por fim, na mesma oportunidade, Carlos Ferreira dos Santos criticou o professor Sebastião: “Em março de 2018, quando assumi a diretoria, pedi a ele que todas as providências fossem tomadas para a realização dos concursos. Conversei para que pedisse à Reitoria para desmembrar algumas vagas, porque alguns médicos não querem contrato de 40 horas. Mas ele só foi assinar o documento para o desmembramento um ano depois”.

    Ao defender o convênio com a Famesp, o diretor da FOB voltou a atacar Sebastião: “Houve a solicitação para que cada coordenação de curso apresentasse um plano de trabalho e o único que não entregou foi o antigo coordenador do curso de Medicina”.

    Respostas do diretor sobre Famesp e conflito de interesses

    Informativo Adusp encaminhou em 26/6 ao diretor da FOB e superintendente do HRAC, professor Carlos Ferreira dos Santos, algumas perguntas sobre o seu relacionamento com a Famesp. Nesta sexta (28/6), foram encaminhadas ao diretor mais três perguntas, com pedido de urgência na resposta. Nessa mesma data, à noite, a assessoria de imprensa do HRAC encaminhou as respostas do professor. Nelas se informa que um convênio entre a FOB e a Famesp foi assinado já em 28/6, “para estágio curricular obrigatório dos estudantes de graduação dos cursos de Odontologia, Fonoaudiologia e Medicina nas unidades administradas pela fundação”.

    Indagamos ao diretor da FOB de que modo ele veio a participar do Conselho de Administração da Famesp, levando-se em conta que essa fundação privada foi criada por docentes da Unesp e não da USP; de quem partiu o convite; e em que data passou a fazer parte do Conselho de Administração da Famesp. Ele informa que ingressou no colegiado da fundação privada em abril deste ano.

    “Fui designado como membro do Conselho de Administração da Famesp no dia 23/4/2019”, diz Carlos Ferreira dos Santos. “Minha contribuição junto a esse Conselho se dá na qualidade de membro da sociedade civil. Conforme o estatuto social da Fundação, dentre outras representações, o Conselho deve ser composto por cinco membros da sociedade civil eleitos pelos demais integrantes, dentre pessoas de notória capacidade profissional e reconhecida idoneidade moral”.

    O diretor da FOB afirma ainda que “o exercício de funções no Conselho de Administração da entidade não é remunerado, e são expressamente vedadas bonificações ou quaisquer vantagens aos conselheiros”. Diz ter participado de duas reuniões ordinárias do Conselho, em 23/4/2019 e 28/5/2019. “Não participei da reunião de 18/6/2019 pois estava em congresso no exterior”.

    Sobre o interesse da Famesp em transferir seus atendimentos de urgência e emergência do Hospital de Base para o HRAC, futuro HC, indagamos a Carlos Ferreira dos Santos se ele de algum modo propôs ou apoiou esse plano de transferência, o que ele nega enfaticamente: “Conforme já expusemos amplamente, inclusive à imprensa, é absolutamente falsa a alegação de que a Direção da FOB teria proposto ou apoiado suposta transferência de atendimentos de urgência e emergência do Hospital de Base de Bauru para o futuro Hospital das Clínicas. Isso jamais ocorreu!”

    No entanto, ele admite indiretamente que a perspectiva de transferência existia: “Representando a USP em comissão com a finalidade de estabelecer o perfil assistencial do HC de Bauru, sempre nos posicionamos contrários a tal possibilidade, e isso foi documentado em tratativas sobre o assunto”.

    Quanto a se o convênio com a Famesp implica algum tipo de contrapartida, financeira ou não, para aquela entidade privada, o diretor Carlos Ferreira dos Santos nega: “O convênio não estabelece qualquer tipo de relação financeira ou repasses entre a FOB e a Famesp. Trata-se apenas de um convênio acadêmico para permitir o estágio obrigatório curricular de estudantes de graduação”.

    Da mesma forma, ele não vê conflito de interesses no fato de fazer parte, ao mesmo tempo, das duas instituições (USP e Famesp) envolvidas no convênio: “Em nossa trajetória, sempre trabalhamos com seriedade, ética, correção e responsabilidade. Em nenhuma deliberação no Conselho da Famesp ou na atuação como dirigente da FOB nos deparamos com questão que eventualmente pudesse incorrer em conflito de interesse. As finalidades e atribuições de uma universidade e de uma organização social de saúde, aliás, são bem distintas”.

    A seu ver, “não há impedimento legal” para que um docente ou dirigente da Universidade componha um colegiado desse tipo. “Portanto, estou absolutamente tranquilo com relação à moralidade de nossas ações”.

    Respostas do diretor quanto à necessidade do convênio

    Quanto à necessidade do convênio com a Famesp, questionada pelo Informativo Adusp, o diretor da FOB alega que era “urgente e uma obrigatoriedade”, uma vez que sem um convênio formal “os estudantes de Medicina não poderiam desenvolver as atividades curriculares previstas já para o segundo semestre nos hospitais da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) em Bauru, que são administrados por essa fundação [a Famesp]”.

    A FOB e a Famesp, afirma, “já tinham convênio firmado com a finalidade de viabilizar a implantação do Programa de Odontologia Hospitalar com ênfase em estomatologia e cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial nas unidades de saúde administradas pela fundação”, havendo igualmente convênio com a Prefeitura de Bauru para acesso dos estudantes de Odontologia, Fonoaudiologia e Medicina às Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família. “Faltava, portanto, um convênio específico e mais amplo para permitir aos alunos dos três cursos de graduação da FOB acesso aos hospitais de Bauru”.

    “Para suprir essa necessidade, assinamos hoje (28/6/2019) convênio acadêmico com a Famesp para estágio curricular obrigatório dos estudantes de graduação dos cursos de Odontologia, Fonoaudiologia e Medicina nas unidades administradas pela Fundação. A publicação no Diário Oficial do Estado deverá ocorrer neste sábado (29/6/2019)”.

    O diretor da FOB rebate declarações que constam da matéria Professor que implantou curso de Medicina de Bauru revela que foi exonerado pelo reitor por discordâncias graves com a FOB e com “organização social de saúde” Famesp, publicada pelo Informativo Adusp em 17/6. Segundo Carlos Ferreira dos Santos, “a alegação de retardamento na contratação de docentes por parte da Direção da FOB também não é verdadeira” e o atraso nas contratações “foi provocado pelo ex-coordenador do curso de Medicina”.

    Por outro lado, ele procura minimizar os conflitos relatados pelo professor José Sebastião dos Santos: “Como mostram os fatos, as insinuações que foram aventadas a respeito de uma suposta disputa ou atuação política por parte da FOB não condizem com a realidade. A Direção da Faculdade tem trabalhado para o cumprimento, com celeridade, de demandas de caráter acadêmico, administrativo e técnico, que não haviam sido providenciadas pela ex-coordenação”.

    Confira aqui a íntegra das respostas do diretor da FOB ao Informativo Adusp.

  • Relatório final da CPI das organizações sociais de saúde apontou conflito de interesses na Famesp, que recebeu do governo estadual, desde 2013, R$ 3 bilhões

    O presidente da fundação privada, qualificada como OSS, é Antonio Rugolo Jr., que foi secretário-adjunto da Secretaria Estadual da Saúde na gestão de M.A. Zago à frente da pasta (2018). Carlos Ferreira dos Santos, atual diretor da FOB e superintendente do HRAC, integra o Conselho de Administração da Famesp

    Antonio Rugolo Jr., presidente da Famesp

    No centro dos conflitos que resultaram na demissão do então coordenador do curso de Medicina da USP em Bauru, e superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC, ou “Centrinho”), encontra-se a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), entidade privada supostamente “sem fins lucrativos”, qualificada como “organização social de saúde” (OSS) e responsável pela gestão de importantes equipamentos públicos de saúde, entre os quais o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu e o Hospital Regional de Bauru.

    Como relatou ao Informativo Adusp e a outros meios de comunicação o professor José Sebastião dos Santos, a Famesp, que responde também pelo Hospital de Base de Bauru, espécie de pronto-socorro municipal, pretendia transferir os respectivos atendimentos de urgência para o HRAC, que é vinculado ao curso de Medicina e será transformado em Hospital das Clínicas (HC). Essa proposta foi repelida por Sebastião, porque chocava-se com o perfil originalmente previsto para o HC.

    Os planos da Famesp não obtiveram êxito, embora contassem, em tese, com um padrinho forte: o diretor da FOB, professor Carlos Ferreira dos Santos, que é membro do Conselho de Administração da entidade privada, definido como “órgão de deliberação superior e de controle da administração”, portanto seu principal colegiado. A Famesp foi criada por docentes do câmpus de Bauru da Unesp, em 1981, e seus dirigentes e conselheiros, na sua quase totalidade, lecionam na Unesp.

    A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Organizações Sociais de Saúde, conduzida pela Assembleia Legislativa (Alesp) e cujos trabalhos foram concluídos em setembro de 2018, concluiu que entre as OSS em atividade no período anterior a Famesp foi a terceira em volume de recursos recebidos do Estado, com 12%, ficando atrás somente da SPDM (25%) e da Seconci (20%).

    Na época, o secretário estadual da Saúde era o ex-reitor M.A. Zago, que tinha como secretário-adjunto Antonio Rugolo Jr. O problema é que, segundo apontou a CPI, Rugolo estava em clara situação de conflito de interesses, pois era o segundo em hierarquia numa pasta que confiava expressivos recursos à Famesp, por meio de contratos de gestão de hospitais públicos. Assim, somente para gerir o Hospital Estadual de Bauru (“Hospital Regional”) a Famesp recebeu R$ 172 milhões em 2018.

    “A Famesp, segundo as informações prestadas pelo TCE-SP, nos últimos cinco anos recebeu um montante equivalente a 12% do total de recursos públicos estaduais repassados para as organizações sociais. R$ 3.011.052.685,24 provenientes do Governo do Estado foi o valor que ingressou nas contas da Famesp desde 2013”, assinalou o relatório final da CPI, cujo relator geral foi o deputado estadual Cássio Navarro (PSDB).

    Diferente do que tinha dito à CPI, o dr. Rugolo não se afastou do cargo”

    A CPI questionou Rugolo Jr. sobre sua ligação com a OSS. O relatório registra que ele mentiu a respeito do seu afastamento do cargo mantido na fundação privada: “Quando compareceu à CPI, em 23/5/2018, questionado sobre o fato de seu nome ainda, naquela data, constar no site da Famesp na condição de presidente da entidade, o Dr. Rugolo prestou a seguinte declaração: ‘Eu não olhei o site da Fundação, eu acho que ele não foi atualizado. Mas, no mesmo dia em que o secretário Zago me convidou para ser adjunto, eu já fiz a solicitação de afastamento, renúncia de cargos de diretor executivo, dos AMEs, e de hospitais. Isso foi feito ad referendum pelo presidente do conselho da Fundação, no dia 27 de abril, e foi homologado em uma reunião do próprio conselho da Fundação três dias depois, na terça-feira seguinte. Isso foi na sexta, na terça-feira teve uma reunião do conselho. Eu estou completamente afastado das atividades da Fundação e das unidades de saúde, não tenho mais vínculo nenhum. Eu já disse que renunciei a todos os outros cargos de diretor executivo. Vou pedir para atualizarem o site, se isso ainda consta lá. Inclusive a ata da minha saída e do meu desligamento da Fundação já foi encaminhada à Procuradoria em Botucatu, para a Procuradoria de Fundações, e já foi aprovada essa ata’”.

    Entretanto, prossegue o relatório, “os documentos apresentados comprovam que o dr. Rugolo apenas solicitou afastamento do cargo de Diretor-Presidente da Famesp e das funções de coordenador de assistência à Saúde, por período determinado, de 27 de abril a 31 de dezembro de 2018, assim não saiu, tampouco se desligou da entidade”. Assim, prossegue, “diferente do que tinha dito à CPI, o atual secretário adjunto de Saúde está afastado da presidência da Famesp até 31 de dezembro de 2018, portanto, não renunciou à presidência e continua detentor da titularidade do cargo”, tanto que o vice, Trajano Sardenberg, “se apresenta como vice-presidente no exercício da presidência”.

    “A situação ganha um caráter ainda mais delicado”, continua o relatório, “quando consideramos que nas atribuições do secretário adjunto de Saúde está a de fiscalizar os contratos de serviços de saúde, ou seja, agora do outro lado do balcão, ao dr. Rugolo compete fiscalizar os contratos geridos pela Famesp, entidade da qual era o representante legal até a véspera de assumir o cargo público”.

    A CPI chegou a recomendar à Secretaria de Saúde do Estado “que exija” de Rugolo Jr. “a renúncia do cargo de Presidente da Famesp”. No entanto, embora já tenha deixado a pasta, ele permanece até hoje à frente da Famesp, tendo como vice Sardenberg.

     

  • Professor que implantou curso de Medicina de Bauru revela que foi exonerado pelo reitor por discordâncias graves com a FOB e com “organização social de saúde” Famesp

    Primeiro, houve uma tentativa de ingerência na proposta curricular do curso aprovada pelo Co. Tivemos também dificuldades com a concepção do HC. A Famesp estava interessada em transferir seu hospital de urgência para o Centrinho [HRAC]. Fomos contrários a isso. A FOB politizou a questão e a Reitoria interveio”, declarou José Sebastião dos Santos aoInformativo Adusp

    Professor José Sebastião dos Santos

    Presidente da Comissão de Implantação e primeiro coordenador do curso de Medicina da USP em Bauru, o professor José Sebastião dos Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), admitiu ao Informativo Adusp, nesta segunda-feira (17/6), ter entrado em rota de colisão com a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB). Os principais conflitos deram-se em torno do conteúdo da grade curricular do curso — criado, em 2017, no âmbito da FOB — e da concepção e papel do novo Hospital das Clínicas (HC) de Bauru, sucessor do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), conhecido na cidade como “Centrinho”.

    Até recentemente, Sebastião acumulava a coordenação do curso com o cargo de superintendente do HRAC. “Tive que trabalhar com professores que são mais da linha tecnológica e outros da saúde pública, mas isso é natural”, disse, referindo-se à existência de “conflitos ideológicos”. Esse, porém, teria sido apenas o “pano de fundo” das divergências mais graves. “Mas a FOB politizou a questão e a Reitoria interveio. Fui exonerado há duas semanas”, revelou. “Foi um conflito de métodos”.

    As divergências no campus da USP de Bauru vieram a público na reunião do Conselho Universitário (Co) de 11/6, por meio de denúncias apresentadas por Neli Wada, representante dos funcionários técnico-administrativos. “Primeiro, houve uma tentativa de ingerência da FOB na proposta curricular do curso aprovada pelo Co”, explicou Sebastião. “Tivemos também dificuldades com a concepção do HC. A [organização social de saúde] Famesp estava interessada em transferir seu hospital de urgência para o Centrinho. Fomos contrários a isso”.

    De acordo com o professor, o currículo aprovado no Co, e defendido por ele, era alinhado “às Diretrizes Curriculares de 2014” e à Constituição de 1988. “É um curso muito voltado para metodologias ativas e interativas, para as políticas públicas de saúde, com ensino da ciência básica interagindo com as ciências aplicadas desde o início”. Sebastião considera, no entanto, que este problema foi superado.

    “O curso foi bem no primeiro ano”, destacou o ex-coordenador, rebatendo este aspecto das declarações feitas por Neli Wada no Co. “Desde o início os estudantes passam por avaliação externa. Tiveram a melhor média geral” [comparados aos alunos de outras instituições]. Ao final da conversa com o Informativo Adusp, Sebastião enfatizou: “Gostaria que vocês corrigissem isso. Apesar de poucos recursos e novo, o curso está bem”.

    Articulação da “organização social de saúde” Famesp foi rechaçada

    Havia uma articulação para que o Hospital de Base da cidade passasse a funcionar dentro do HC. “Não tinha cabimento misturar hospital de urgência com hospital de cirurgias eletivas, que é o escopo do Centrinho”, diz Sebastião, explicando sua discordância. Famesp é o nome fantasia da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar, OSS sediada em Botucatu e que responde, em Bauru, pela gestão do Hospital Regional, pertencente à Secretaria Estadual da Saúde (SES-SP), e do Hospital de Base, pertencente à Prefeitura. O hospital de urgência a que se refere o ex-coordenador do curso de Medicina é o Hospital de Base, espécie de pronto-socorro público central da cidade.

    Ele disse ainda que, durante a sua gestão, elaborou um projeto de complexo hospitalar para a cidade de Bauru, de modo a permitir a cooperação entre os diferentes hospitais existentes. “Seria bom para o curso, para os estudantes”. Os documentos relativos a esse projeto foram colocados à disposição da Reitoria.

    “Este foi o segundo conflito”, resume. Ele nega, porém, que a Famesp tenha saído vitoriosa. “A ideia de trazer o Hospital de Base para o Centrinho foi rechaçada. Parece que a Secretaria Estadual da Saúde tem clareza de que isso não é uma saída”. A opinião do ex-coordenador é confirmada pela nota divulgada pela direção da FOB em 12/6, um dia após a última reunião do Co (leia a íntegra ao final deste texto).

    Sebastião faz um balanço positivo de sua atuação à frente do curso e do HRAC: “Fiquei dois anos lá. Deu para pelo menos implantar o início do curso. As coisas estavam encaminhadas”. Apesar disso, não deixa de sinalizar que foi sabotado pela direção da FOB. “De certa forma, nos últimos meses os investimentos começaram a retardar. Estava prevista a contratação de seis docentes em tempo parcial em fevereiro, mas não aconteceu e foi suprida por docentes de Ribeirão Preto. Isso foi retardado. Já fazia parte de uma estratégia da FOB. Logo que saí os editais apareceram”.

    Convidado a comentar a proposta de criação da Faculdade de Medicina de Bauru, apresentada na reunião de 11/6 do Co pelo professor Carlos Ferreira dos Santos, diretor da FOB e novo superintendente do HRAC, Sebastião respondeu prontamente: “Está propondo para o público. Internamente não é a proposta dele. Internamente ele diz que o curso é da FOB. Quem está propondo isso sou eu. Precisa ter uma personalidade jurídica, que não pode ser a FOB”.

    Em 2014, Sebastião foi o autor de um relatório sobre o Hospital Universitário (HU) e o HRAC encomendado pelo reitor M.A. Zago. O relatório, cujas conclusões foram vivamente rejeitadas pelo corpo médico do HU, foi apresentado ao Co, em agosto daquele ano, como “peça de resistência” da proposta de Zago de desvincular da USP ambos os hospitais. Na ocasião, o então reitor conseguiu aprovar a desvinculação do HRAC, absurdamente transformado pelo Co em “entidade associada à USP”. O professor da FMRP negou, contudo, que tenha proposto a desvinculação.

    Reunião define perfil assistencial do Hospital das Clínicas de Bauru”

    Sob o título acima, a Diretoria da FOB emitiu em 12/6 nota com o seguinte teor: “O professor Carlos Ferreira dos Santos, diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP) e superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC-USP), participou nesta terça-feira, 12/6/2019, de reunião na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). Ficou definido o perfil assistencial do Hospital das Clínicas de Bauru, sendo descartada a transferência do Hospital de Base para o HC, que será uma nova unidade hospitalar da SES-SP em Bauru, com vistas a manter e fortalecer a excelência do HRAC-USP e complementar as necessidades dos 68 municípios que compõem o Departamento Regional de Saúde (DRS-6);

    - Além do dirigente da USP-Bauru, participaram da reunião: José Henrique Germann Ferreira, secretário de Estado da Saúde; Alberto Hideki Kanamura, secretário adjunto da SES-SP; Olímpio José Nogueira Viana Bittar, assessor de Gabinete da SES-SP; e os professores Vahan Agopyan, reitor da USP; Antônio Carlos Hernandes, vice-reitor da USP; Edmund Chada Baracat, pró-reitor de Graduação da USP; Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, diretor da Faculdade de Medicina (FM-USP) de São Paulo; Margaret de Castro, diretora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP); Paulo Francisco Ramos Margarido, superintendente do Hospital Universitário (HU-USP); e Adriana Fragalle Moreira, procuradora geral da USP;

    - As especialidades e serviços serão definidos conjuntamente com o DRS-6 e os demais hospitais da SES-SP em Bauru, em um desenho maior que visa a formação de um complexo hospitalar para otimização de insumos e equipes;

    - A reunião deste dia 12/6/2019 ratifica, assim, proposta definida em reunião no DRS-6 realizada no dia 15/4/2019, na qual foi delineado – de forma consensual entre os representantes da USP (professores Carlos Ferreira dos Santos e José Sebastião dos Santos), DRS-6/SES-SP, Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, Hospital de Base e Ministério Público Estadual – que o Hospital de Base seja destinado exclusivamente e seja a grande referência para atendimento dos casos de urgência e emergência, e que os demais hospitais da cidade sejam unidades de atenção eletiva, com ordenação de acesso mediante regulação, visando organizar e racionalizar a rede hospitalar, com tipificação dos serviços. Na mesma reunião de 15/4/2019, foi tratado ainda que poderiam ser incorporados ao HC, portanto, procedimentos cirúrgicos eletivos de baixo risco atualmente realizados no Hospital de Base, dentro de uma lógica de reforçar a excelência do HRAC, em áreas, por exemplo, como neurocirurgia pediátrica e otorrinolaringologia;

    - Importante esclarecer ainda que, representando a USP em comissão com a finalidade de estabelecer esse perfil assistencial do HC de Bauru, os professores Carlos Ferreira dos Santos e José Sebastião dos Santos sempre se posicionaram contrários a uma eventual transferência do Hospital de Base para o HC. Portanto, é uma inverdade que a FOB teria aceitado proposta dessa transferência;

    - Conforme delineado de forma consensual nas tratativas mencionadas, apenas alguns procedimentos eletivos (jamais urgência e emergência) hoje feitos no Hospital de Base poderiam ser realizados no HC, para potencializar o que é feito atualmente no HRAC-USP, em consonância com as necessidades dos 68 municípios do DRS-6;

    - Com relação ao Curso de Medicina, a FOB e a Universidade têm empenhado todos os esforços para o seu pleno desenvolvimento, com investimentos de quase R$ 1 milhão da atual gestão da Faculdade de Odontologia de Bauru somente na estruturação e compra de equipamentos e livros específicos. Além dos professores exclusivos do Curso já atuantes, dos docentes da FOB e colaboradores de outras unidades da USP, oito novos professores serão contratados no segundo semestre de 2019;

    - Por fim, reitera-se que o professor Carlos Ferreira dos Santos defendeu, em reunião do Conselho Universitário da USP realizada no dia 11/6/2019, em São Paulo, a criação da Faculdade de Medicina e a implantação efetiva do novo Hospital das Clínicas no campus de Bauru. E que a FOB apoia totalmente a criação da nova Unidade de Ensino, a Faculdade de Medicina de Bauru, e a estruturação do Hospital das Clínicas, que incorporará a excelência do HRAC”.

     
  • Curso de medicina de Bauru não tem professores para disciplinas básicas, nem investimentos, denuncia integrante do Conselho Universitário na reunião de 11/6

    Neli Wada revelou que a Funcraf devia R$ 5 milhões à USP. Diretor da FOB, Carlos Ferreira dos Santos, nega problemas, mas defende criação de uma faculdade de medicina para administrar o curso: “um diretor seria louco de não querer uma nova unidade, para inclusive desonerar seus dois outros cursos”

    A crise no curso de medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e a situação nada transparente enfrentada pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), conhecido naquela cidade como “Centrinho”, foi abordada na reunião do Conselho Universitário da USP realizada no dia 11/6/2019, em São Paulo. A reunião teve como principal ponto de pauta a discussão do reajuste salarial de 2,2% proposto (e imposto) pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).

    Neli Wada, funcionária do HRAC e representante dos trabalhadores no Co, leu um texto preparado pela comunidade local. Contundente, o documento principia lembrando que, na gestão do reitor M.A. Zago, o Co aprovou a desvinculação do HRAC, “vendendo o hospital de excelência e referência internacional para o governo do PSDB”, ao mesmo tempo em que a nova direção do hospital, a cargo da professora Maria Aparecida Moreira Machado, a Cidinha (atual pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária), se mostrava extremamente autoritária.

    “A turma da FOB, aquela que traiu a comunidade uspiana de Bauru, usou o Centrinho para o governo Alckmin e o ex-deputado Pedro Tobias, para fins eleitoreiros e, é lógico, poder”, disse a dirigente sindical. “Enganaram o povo, pois criaram uma faculdade de medicina usando o HRAC como hospital universitário sem investimentos, sem professores, e uma faculdade de medicina sem médicos. Enganaram os jovens, que acreditaram em um curso de qualidade, que passados seis meses não vingou, pois faltam professores e estrutura. E o que é pior: ninguém para ensinar matérias básicas de um curso de medicina, como anatomia, fisiologia e todos os conceitos das ciências biomédicas”.

    “Nesta semana, no dia 10, apareceu uma ‘bomba’ dentro do Centrinho”, continuou Neli, dirigindo-se ao reitor Vahan Agopyan. “O professor [José] Sebastião, que era o superintendente, reuniu todos os funcionários, reuniu os estudantes, junto com o presidente da Associação Paulista de Medicina, com o secretário de Saúde de Bauru, alguns vereadores, e nesta reunião, realizada no quiosque do centrinho, fez inúmeras denúncias. O professor segundo ele esperava que fossem contratados vinte e cinco professores para a faculdade [o curso] de medicina. Abriram um concurso público e contrataram cinco vagas [sic]. E durante esse concurso o professor denunciou que ele foi muito pressionado para que fossem essas vagas, do concurso público, para os amigos da FOB. Agora vai ter novamente um concurso para seis professores. Nós vamos estar de olho, porque a gente espera que também não sejam as vagas para os amigos da FOB”.

    Outra denúncia feita por José Sebastião dos Santos, segundo o texto lido por Neli, foi de que “existe uma dívida da Funcraf, fundação que em 2013, alegando rompimento de contrato com o hospital, demitiu 227 trabalhadores e ficou devendo grande parte das rescisões contratuais”, prosseguiu a representante dos trabalhadores no Co. “Essa dívida é de R$ 5 milhões. E duas semanas atrás, professor Vahan, é que, não sei por que, começaram a pagar a dívida: R$ 1,2 milhão foram devolvidos ao hospital, ficando o segundo débito, no valor de R$ 3,8 milhões, para a USP receber. E aí eu pergunto: será que só a Funcraf deve para a universidade? Não tem mais nenhuma fundação, instalada dentro da USP, que deva para a universidade?”

    Perseguições e processos contra funcionários

    Ao final da sua intervenção, dirigindo-se expressamente à professora Cidinha e ao professor Carlos Ferreira dos Santos, diretor da FOB (e atual superintendente do HRAC), ambos presentes à reunião do Co, Neli disse esperar que não haja novas punições de funcionários por dizerem a verdade, dando como exemplo os dois processos administrativos de teor persecutório abertos pela atual pró-reitora contra a funcionária Cláudia (não informou o sobrenome).

    Em resposta, o diretor da FOB disse que a unidade e a Reitoria “têm empenhado todos os esforços” no desenvolvimento do curso de Medicina, iniciado em 2018. Disse que já foram investidos cerca de R$ 1 milhão na estruturação do curso, com compra de equipamentos e livros específicos. “A contratação de professores estava a cargo do coordenador e agora assumimos, como diretor e vice-diretor, professor Guilherme [Pereira Janson], a gestão desses concursos. Tanto é verdade que amanhã [12/6], na reunião da Congregação, serão aprovados editais para sete vagas, sendo seis vagas em RTC e uma em RDIDP.

    Ainda segundo o diretor Santos, um concurso que aconteceria na semana passada “não aconteceu porque a banca declinou, inclusive o coordenador, que fazia parte da banca, mas imediatamente a nossa Congregação conseguiu deliberar uma nova comissão”. Porém, explicou, a candidata se manifestou dizendo que está no exterior e não participará do concurso, agendado para o final de junho. “Então obviamente tomaremos as providências para o preenchimento também desta vaga”.

    Santos propôs ao Co a criação de uma nova unidade para assumir o curso de medicina de Bauru. “Queremos dizer que a FOB é quem mais apoia a criação de uma nova unidade, a Faculdade de Medicina. Até mesmo porque, como acabei de dizer, perante todos esses conselheiros, quem paga a conta do curso de medicina é a FOB. Então um diretor seria louco de não querer a criação de uma nova unidade, para inclusive desonerar seus dois outros cursos”.

    Assista à integra da reunião do Co.

  • Criado em 15 dias curso de Medicina na FOB

    foto: Aceituno Jr./Jornal da Cidade de Bauru

    Celebrado o convênio, em 1º de agosto, secretário David Uip e Reitoria deram informações contraditórias sobre o HRAC e novo HC de Bauru

    A reunião do Co de 4 de julho referendou a proposta de criação de um curso de Medicina na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), cujas 60 vagas serão oferecidas a partir de 2018. A decisão formaliza convênio entre a USP e a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que estipula a desvinculação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru (HRAC), pertencente à USP e conhecido como “Centrinho”. Os termos do acordo, entretanto, não foram divulgados publicamente.

  • Depois de transformar HRAC em “entidade associada”, Reitoria viola Estatuto da USP e nomeia superintendente

  • Mais mobilização contra a vetusta intransigência do Cruesp e a “austeridade” do governo Alckmin

    Resolução da Assembleia Geral da Adusp de 28/5/15

    A reunião entre Fórum das Seis e Cruesp de 25/5/15 terminou com uma proposta dos reitores altamente insuficiente no que se refere à preservação do poder aqui­si­tivo dos salários e das condições de vida de docentes e funcionários técnico-administrativos.

  • Alckmin ataca novamente as universidades estaduais

    Governador propõe na LDO-2016 repasse de “no máximo” 9,57% do ICMS-QPE! Na USP intransigência da Reitoria e a CERT voltando ao ataque

    Enquanto nos organizamos para pressionar o Conselho de Reitores (Cruesp) na reunião de negociação salarial agendada para 14/5/15, na sede do Cruesp (esquina das ruas Itapeva e Rocha), realizando na mesma data, hora e local um ato público por recomposição salarial pelo ICV-Dieese de maio/14 a abril/15, mais 3% de recuperaçao de perdas históricas, o governo Alckmim enviou à Assembleia Legislativa (Alesp) seu projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2016.

  • Relação de ofícios da Adusp não respondidos pela Reitoria

     

    Ofício Adusp/data/destinatário(s) Assunto
    009, de 3/4/2014 - Ao reitor, c/c para diretora da EACH e superintendente da SEF Encaminha para conhecimento e providências cópia de ofício do comandante do Corpo de Bombeiros, o qual informa que a “edificação” (campus da EACH) se encontra irregular quanto ao regulamento contra incêndios. Não se tem notícia de que a situação tenha sido regularizada.
    011, de 11/4/2014 - Ao reitor Solicita cópia dos contratos firmados com instituições esportivas (clubes Corinthians, Pinheiros, Bandeirante e Paulistano). Solicita que se esclareça se a aprovação dos referidos contratos foi submetida à aprovação das instâncias competentes da USP.
    016, de 13/6/2014 - Ao reitor Solicita informações sobre o anúncio feito pelo reitor na sessão do Co de 3/6/2014 (e posteriormente em carta de 21/7/2014 dirigida a todos os docentes), de sindicância quanto à aprovação do processo de carreira dos funcionários técnico administrativos e da progressão horizontal dos docentes e sobre auditoria dos gastos da gestão anterior.
    019, de 10/7/2014 – Ao Serviço de Informação ao Cidadão (SIC-USP) Solicita o detalhamento “item a item” dos recursos próprios da USP e das obras que foram suspensas (com os respectivos órgãos decisórios e justificativas), conforme constam do balanço orçamentário para 2014, distribuído na reunião do Co de 25/2/2014.
    024, de 24/7/2014 – Ao coordenador da Codage Solicita reunião para tratar do corte de ponto dos funcionários do DRH durante a greve.
    025, de 31/7/2014 – Ao pró-reitor de Pesquisa Encaminha Carta Aberta dos docentes da USP ao pró-reitor de Pesquisa. A carta, aprovada em assembleia em 28/7/2014, critica o uso do correio eletrônico institucional pela PRP de modo indevido e em desacordo com as normas vigentes da USP.
    031 e 032, de 8/9/2014 - Aos pró-reitores de Graduação e de Pós-Graduação Solicita a elaboração de calendários para o pós-greve que garantissem, em todas as disciplinas, cursos e unidades de ensino, o respeito à reposição com qualidade das atividades acadêmicas afetadas pela greve.
    036, de 29/10/2014 - Ao reitor Dá ciência ao reitor do empenho e insucesso em se conseguir agendar um debate com um representante do GT-Atividade Docente, bem como da ausência de notícias públicas sobre as atividades desse grupo de trabalho. Solicita informações a respeito e reitera o convite para realização de um debate com o GT.
    042, de 16/12/2014 - Ao reitor Solicita a cessação do uso político indevido dos recursos eletrônicos da USP como modo privilegiado de acesso ao corpo da universidade, para emissão de juízo ou opinião política por parte dos detentores de cargos da Reitoria. Para registrar a cessação deste tipo de uso indevido, reivindica a divulgação, pela Reitoria, de um texto de autoria da Comissão Permanente de Mobilização da Adusp, elaborado em resposta a um artigo do professor José de Souza Martins enviado, pela PRP, a todo o corpo da universidade no dia 3/12/2014.
    001, de 15/1/2015 - Ao reitor Contesta o parecer da CLR sobre a legalidade da desvinculação do HRAC e reitera a solicitação de que a matéria seja incluída na pauta da reunião seguinte do Co, com base em manifestação em anexo da Assessoria Jurídica da Adusp.
    005 a 008, de 29/4/2015 – Ao reitor e aos pró-reitores de Graduação, de Pós-Graduação e de Pesquisa Solicita toda a documentação relativa a convênios firmados entre a USP e/ou unidades de ensino e pesquisa, de um lado, e fundações privadas autodeclaradas “de apoio”, de outro lado.
    009, de 29/4/2015 Solicita toda a documentação disponível na PRCEU relativa a convênios firmados entre a USP e/ou unidades de ensino e pesquisa, de um lado, e fundações privadas autodeclaradas “de apoio”, de outro lado. Caso único, foi prontamente respondido pela pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária. Contudo, a Adusp considerou insuficiente a resposta e lhe dirigiu nova correspondência, solicitando mais explicações (Ofício Adusp 10/15, de 6/5/15).

     

  • Adusp, Sintusp e Simesp pedem ao MPE inquérito civil para investigar ações da Reitoria contra HU e HRAC

  • Para Waldyr Jorge, PIDV causou “perda de quadros qualificados” e foi “equívoco”

  • Deliberações da Assembleia Geral de 12/03/2015

    1 – Campanha de data base 2015:

    • quanto à reivindicação salarial foi aprovada, como indicativa para o Fórum das Seis, a proposta de reposição salarial na data-base para docentes e servidores técnico-administrativos das três universidades e do Centro Paula Souza, correspondente à inflação do período maio/2014 a abril/2015, de acordo com o ICV do Dieese. Nova negociação em setembro/outubro 2015.

    • Vem chumbo grosso!

      Em 23/2 teve início o primeiro semestre letivo de 2015. A julgar pela conjuntura política e econômica da sociedade e da universidade neste começo de aulas, parece sensato preparar-se não para chuvas regulares, mas para um período de chumbo grosso e total insensibilidade da dinastia que dirige a USP.

    • Co ignora petição e deixa HRAC fora da pauta

      A reunião de 3/3 do Conselho Universitário (Co) foi iniciada com a manifestação do reitor M.A. Zago, que leu trechos do documento de fundação da USP em 1934, reafirmando a sua atualidade. Em seguida apresentou um balanço de seu primeiro ano de gestão, salientando suas ações no sentido de promover “democratização” (sic) e “transparência” (sic). A EACH foi citada a respeito da interdição. O reitor apresentou na sequência uma avaliação (pessimista) das perspectivas financeiras da universidade e reafirmou a necessidade de cortes de despesas. Concluiu comentando o Plano de Metas para 2015.

    • Os embates políticos de 2015

      Lutas por democracia, transparência, salário, preservação do HU e do HRAC e contra os ataques da Cert devem marcar o próximo ano...

      As conquistas políticas, organizativas e salariais da greve de 118 dias realizada pelas estaduais paulistas deixaram marcas importantes, mas ainda há batalhas a travar, que deverão ocorrer em 2015.

    • Inclusão do HRAC na pauta do Co

      A Adusp oficiou em 12/11 à Secretaria Geral da USP, encaminhando as assinaturas de 21% de membros do Conselho Universitário favoráveis a que seja incluída, na pauta da próxima reunião, apreciação da petição da Adusp para que seja anulada a desvinculação do HRAC, decidida irregularmente em 26/8.

    • Documentos e ofícios

    • Câmara Municipal de Bauru aprova moções do Fórum da Seis em defesa do “Centrinho”

      Por entender que “o Centrinho foi o berço de pesquisas que transformaram positivamente a vida de milhares de pessoas, que recebia e ainda recebe pacientes, estudantes, profissionais de diferentes Estados do Brasil e de outros países em busca da troca de experiência, da excelência e do tratamento conceituado”, a Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participa­ti­va da Câmara Municipal de Bauru aprovou moção de apelo ao Conselho Universitário (Co) da USP, instando esse colegiado, “enérgica e enfaticamente”, a rever a modificação realizada em 26/8 no artigo 8º de seu Regimento Geral e assim manter o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o chamado “Centrinho”, como órgão complementar da universidade.