Conjuntura Nacional
8M na Capital defenderá a vida das mulheres e pedirá democracia, fim da escala 6 x 1 e “Fora Trump e Tarcísio”
“Pela Vida das Mulheres! Contra o imperialismo, por democracia e soberania popular, pelo fim da escala 6 x 1! Fora Trump e Tarcísio!”.
Estas são as palavras de ordem do ato que será realizado na capital paulista neste próximo domingo, 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres. As bandeiras citadas acima respondem à conjuntura nacional, marcada pelo aumento de casos de feminicídio e outras violências de gênero, e ao cenário internacional, que inclui dezenas de milhares de mulheres assassinadas em ataques liderados por perspectivas imperialistas, como os sob comando de Israel e EUA.
O governador Tarcísio de Freitas, por sua vez, propôs uma dotação orçamentária para 2026 da Secretaria de Políticas para a Mulher 54% menor do que a dotação inicial aprovada pela Alesp na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. É uma atitude recorrente. “Gestão Tarcísio congelou maior parte da verba de combate à violência contra a mulher em SP em 2024”, noticiou o portal G1 em fevereiro de 2025, informando que o governo estadual gastou apenas R$ 900 mil da verba de R$ 26 milhões prevista para ações em defesa das mulheres.
Em São Paulo, a concentração para o ato público terá início às 14h, no MASP. A mobilização das mulheres ocorrerá em cidades do país todo: “estaremos nas ruas fortalecendo o Ato Nacional 8M”, diz uma convocatória.
A Rede Não Cala, constituída por professoras da USP, é uma das signatárias do Manifesto Nacional do 8 de Março Unificado, assinado por 120 organizações nacionais, 30 regionais, 97 estaduais e 96 de âmbito municipal e local.
“Nosso feminismo é internacionalista e anti-imperialista. Neste 8 de Março, nossas vozes estão erguidas no Brasil inteiro contra a ofensiva dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe e todas as agressões econômicas, políticas e militares que ameaçam a paz e a soberania dos povos. Denunciamos o bloqueio criminoso, ameaças bélicas, ataques cibernéticos, comunicacionais e de invasão impostas à Cuba e à Venezuela e todas as formas de dominação colonial que aprofundam a fome, a exploração capitalista patriarcal e racista”, inicia o Manifesto.
“As Big Techs, empresas transnacionais da tecnologia, e o complexo industrial militar estadunidense são as principais ferramentas do imperialismo para atacar a soberania na América Latina e no Caribe. São as mesmas empresas que controlam as plataformas de redes sociais digitais que potencializam a propagação da extrema direita, do conservadorismo, racismo e misoginia”, adverte.
“Nossa luta é feminista, internacionalista, antifascista e antirracista. Estamos ao lado das mulheres palestinas, venezuelanas, cubanas e de todos os povos que resistem às ocupações, guerras e conflitos armados. Exigimos paz e o fim dasintervençõesimperialistas. Lutamos contra todas as formas de opressão contra as mulheres e meninas que culminam em feminicídios e transfeminicídios, produtos do entrelaçamento entre o capitalismo neoliberal, o imperialismo, fascismo, patriarcado, racismo e a LBTfobia, que controlam corpos, exploram o trabalho, saqueiam territórios e mantêm privilégios”, prossegue.
“Em 2025, a maioria das 1.470 mulheres que foram assassinadas [no Brasil] eram mulheres negras. Mulheres com deficiência, em especial as que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade, são privadas de direitos básicos. No Brasil, as mulheres seguem sendo assassinadas por serem mulheres, na maioria das vezes dentro de suas próprias casas, pelo marido, namorado, companheiro ou ex-companheiro”, destaca o documento.
“Diante deste cenário também exigimos ampliação do orçamento para as políticas de enfrentamento à violência e às desigualdades vividas pelas mulheres. Denunciamos o racismo que estrutura toda a sociedade brasileira e produz a violência policial, a intolerância e racismo religioso, e todos os tipos de opressões materiais e simbólicas contra a população negra e indígena, povos e comunidades tradicionais, as juventudes e as mulheres negras, indígenas e de tradição de matriz africana. Lutamos por um Brasil sem racismo, com reparação histórica e Bem Viver!”.
Debates abordarão desigualdade na carreira docente e violência de gênero
Na USP, a Rede não Cala promoverá dois debates relacionados à questão da participação feminina na vida universitária, que contarão com professoras da própria universidade e de outras instituições.
No dia 19 de março (quinta-feira), a mesa “Mulheres e desigualdades na carreira acadêmica” reunirá Ana Maria de Almeida (Unicamp) e Marília Moschcovich (FFLCH-USP), com mediação de Gabriela Calazans (IP-USP). O debate ocorrerá a partir das 17h, na Sala 14 do Prédio das Ciências Sociais.
No dia 25 de março (quarta-feira), a mesa “Violência de gênero na universidade: enfrentamentos e desafios” contará com Fabiana Severi (FDRP-USP) , Heloisa Buarque de Almeida (FFLCH) e Carolina Bezerra (UFJF), com mediação de Daniela Osvald (ECA-USP). Terá lugar no Auditório Lupe Cotrim, da ECA, a partir das 17h.
Piquenique da Rede Não Cala na Praça do Relógio
Também no dia 25 de março, ao meio dia, na Praça do Relógio, a Rede Não Cala promoverá um piquenique, uma “atividade de confraternização para todes, inclusive crianças”. Quem tiver interesse deverá levar toalhas e cangas, além de comidas e bebidas não alcoólicas.
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