Às vésperas da malograda reunião do Conselho Universitário (Co) de 26 de maio, que apreciaria a proposta adotada pela Reitoria da USP e pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) de reajuste salarial de 3,47%, correspondente à inflação apurada no período pelo IPC, índice calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), os diferentes segmentos da categoria docentes — doutores(as), associados(as) e titulares — foram consultados a respeito pelos respectivos representantes no Co. Os resultados foram surpreendentes.

No tocante a doutores e doutoras, 420 docentes responderam às seguintes perguntas: 1) “Qual deve ser a posição da representação docente em relação à proposta de reajuste salarial apresentada?” e 2) “A representação docente deve propor que o índice de reajuste salarial seja vinculado ao IPCA?”.

No item 1, a maioria dos(as) participantes, 240 (57,14%), votou contrariamente à proposta da Reitoria, enquanto 159 (37,86%) votaram favoravelmente, e 21 (5%) se abstiveram. No item 2, a adesão ao “sim” foi esmagadora: conquistou 380 votos ou 90,48% do universo de doutores(as) votantes.

Entre professores(as) associados(as), a proposta da Reitoria foi rechaçada de modo cristalino e contundente. Dentre 975 docentes que se manifestaram na enquete, 300 (30,76%) votaram a favor do índice de 3,47%, enquanto que 600 (61,53%) votaram contra e outros 60 (6,15%) se abstiveram.

Quanto aos(às) titulares, no universo de 328 docentes que se manifestaram a proposta de votar no Co a favor dos 3,47% ganhou apertado, recebendo 169 votos (51,5%), enquanto a posição contrária obteve 134 votos (40,9%) e as abstenções somaram 25 votos (7,6%). Essa divisão é inédita num segmento que, por representar o topo da carreira, tende a adotar condutas mais conservadoras e a se alinhar às orientações emanadas da Reitoria.

Mas o principal, ainda no tocante a titulares, talvez sejam as respostas à segunda questão — “Os titulares devem propor índice de reajuste salarial vinculado ao IPCA, de 7,39%?”. Votaram “sim” 233 docentes (72,6%) e “não” apenas 64 docentes (19,9%), enquanto optaram pela abstenção 23 docentes (7,2%).

Esses resultados bastante desfavoráveis à proposta da Reitoria sugerem que a maior parte do corpo docente da USP a) não reconhece o IPC-FIPE, e b) considera que o melhor índice a ser usado para reajustar os salários da categoria é o IPCA, como o Fórum das Seis tem recomendado, consistentemente, ao Cruesp. Mais amplo e confiável, o IPCA é formulado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), instituição pública federal.

EXPRESSO ADUSP


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