Universidade
Seis estudantes que participaram de ocupação nos Blocos K e L foram detidos e depois liberados; na mesma noite, assembleia geral votou pelo fim da greve estudantil, que deve ser referendado em cada curso
Seis estudantes que participaram da ocupação dos Blocos K e L da Administração Central da USP, na Cidade Universitária, na noite da segunda-feira (8 de junho), foram detidos e levados para o 7º Distrito Policial, na Lapa. O grupo foi liberado após prestar depoimento.
De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, o caso foi registrado como lesão corporal de natureza grave e dano ao patrimônio público.
Em nota divulgada nesta terça-feira (9), a Reitoria afirma que “por volta das 19h de ontem, dia 8 de junho, houve uma tentativa de invasão no Prédio da Administração Central da USP”.
“Pessoas encapuzadas, munidas de paus e cassetetes, entraram no prédio e agrediram os seguranças, inclusive disparando rojões e fogos de artifício contra eles”, diz o comunicado.
Um vídeo que circulou nas redes sociais, com imagens de câmeras de segurança, mostra um jovem mascarado e de boné que acende um rojão e o dispara no interior do prédio.
“A Polícia Militar foi acionada e, logo em seguida, retirou os invasores e liberou as portarias do prédio. Diversos membros da guarda universitária sofreram escoriações e, pelo menos, três tiveram ferimentos mais graves e foram levados ao Hospital Universitário”, conclui a nota da Reitoria. Um vídeo mostra embate corporal entre policiais militares e estudantes, que receberam golpes de cassetete.
A ocupação foi organizada pela Frente Estudantil Marimbondo, surgida na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e que se define em sua conta no Instagram como um movimento “com o objetivo de organizar os estudantes que sentiam a necessidade de se unir em luta independente, combativa e consequente e que não viam nas organizações do velho movimento estudantil, ligadas às incontáveis siglas eleitoreiras capacidade de levar adiante suas pautas”.
Num manifesto divulgado na segunda-feira, a frente diz não concordar “com os métodos burocráticos das organizações eleitoreiras” e defender “um movimento estudantil que realmente sirva aos interesses dos estudantes e não a interesses eleitoreiros”.
A ação não teve o aval do DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” nem foi debatida nas instâncias do movimento estudantil da USP.
O grupo reivindica um aumento de R$ 300,00 na bolsa do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE); fim imediato do contrato com a Básica Refeições, empresa responsável por unidades terceirizadas dos restaurantes universitários, acusada de fornecer refeições de má qualidade, inclusive com a presença de larvas na comida; não retaliação contra os(as) estudantes que participaram da greve; e liberação de verba para dois ônibus que vão levar alunos(as) da USP para o Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia, no final de julho, no Maranhão, compromisso que teria sido assumido pelo pró-reitor de Graduação, Marcos Neira.
Estudantes vão se manter mobilizados por não retaliação e outras pautas
O episódio nos blocos K e L, que abrigam órgãos como o Departamento de Recursos Humanos (DRH) e a Superintendência de Comunicação Social (SCS), ocorreu na mesma noite em que a assembleia geral de estudantes, organizada pelo DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” na Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU), recomendou o encerramento da greve estudantil, iniciada há mais de 50 dias.
Houve 323 votos pelo encerramento, 255 pela manutenção da paralisação e nove abstenções.
A decisão pelo fim da greve cabe a cada curso. Em muitas unidades, como o curso de Medicina da Faculdade de Medicina, na Faculdade de Direito e na Escola Politécnica a paralisação já havia sido encerrada no final de maio por deliberação das assembleias setoriais. Nos dias seguintes, também houve deliberação pelo fim do movimento em unidades como a Escola de Enfermagem (EE) e o Instituto de Física (IF).
A assembleia decidiu dar sequência à mobilização com a luta pela não retaliação de estudantes que participaram da greve, adequação do calendário escolar e nomeação dos(as) integrantes do GT sobre acesso trans e indígena, entre outras pautas.
Uma das principais reivindicações da greve, o reajuste do PAPFE para o equivalente ao salário mínimo paulista, de R$ 1.800,00, não foi atendida – a Reitoria aumentou a bolsa de R$ 885,00 para R$ 912,00. Porém, entre outros itens, o movimento conquistou a formação de GTs que vão trabalhar sobre diversos temas, como o PAPFE, as reformas no Conjunto Residencial da USP (Crusp) e a situação dos restaurantes universitários.
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