Universidade
Em novo episódio que evidencia consequências do desmonte, rompimento de tubulação deixa Hospital Universitário sem água; na sexta-feira (31/7), Sintusp realiza mais um ato público contra abandono do HU
O Hospital Universitário (HU) da USP viveu mais um episódio que evidencia as consequências do desmonte ao qual vem sendo submetido pela Reitoria desde a gestão M.A. Zago-V. Agopyan (2014-2018).
Na manhã da última sexta-feira (24 de julho), ocorreu o rompimento de uma tubulação da rede de água fria, o que levou à interrupção do fornecimento de água em todo o hospital por algumas horas. Um vídeo divulgado nas mídias sociais mostra a situação num dos corredores.
Na própria sexta-feira, a Superintendência do HU divulgou três comunicados urgentes sobre o problema. O primeiro, ainda pela manhã, informava que estava sendo realizado “um reparo na rede de água fria”, tendo como consequência a interrupção do abastecimento em todo o hospital.
Os exames laboratoriais foram limitados aos casos de urgência, e o pronto atendimento entrou em “situação de contingência”, ou seja, “sem condições de receber novos pacientes”
Mais tarde, um novo comunicado informou que havia sido realizado “um reparo provisório na rede de água”, com o retorno do abastecimento em todo o hospital. O pronto-socorro permaneceu em situação de contingência, enquanto os demais setores puderam retomar as atividades.
No terceiro comunicado, a Superintendência do hospital informou que “o reparo definitivo na rede de água fria” seria feito entre as 19h do sábado (25) e a manhã do domingo, período em que o abastecimento foi novamente interrompido em todas as dependências. Os setores trabalharam com água mineral, distribuída na área de suprimentos do centro cirúrgico. O fornecimento de água foi normalizado no final de semana.
O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) convocou um ato público na próxima sexta-feira (31), às 9h, em frente ao portão do hospital, na Cidade Universitária, para protestar “contra o abandono e as péssimas condições das instalações físicas” do HU.
“O descaso castiga quem trabalha no hospital e destrói o atendimento dos usuários”, diz a convocação.
Desmanche avança, embora três dos 4 últimos reitores da USP sejam médicos
Vale lembrar que o desmonte do HU foi iniciado na gestão de um médico e não foi revertido nas administrações posteriores, incluindo a de outro médico, Carlos Gilberto Carlotti Júnior (2022-2025), egresso da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), assim como Zago.
O atual reitor, Aluísio Segurado, também médico, cuja trajetória como aluno e docente foi construída na Faculdade de Medicina (FMUSP), não deu mostras até aqui de que pretenda investir na recuperação do hospital.
No final do ano passado, às vésperas da eleição para a Reitoria, a Adusp, o Sintusp, o DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” e o Coletivo Butantã na Luta encaminharam conjuntamente às três chapas uma carta-compromisso aprovada no Seminário sobre o HU da USP, realizado em novembro.
A carta reivindica, entre outros pontos, “que o HU recupere sua plena capacidade assistencial e formativa, retomando sua vocação histórica como hospital, com qualidade socialmente referenciada e reconhecimento nacional e internacional”.
As entidades postulavam que os(as) “reitoráveis” não apenas tomassem conhecimento do texto, mas endossassem as suas proposições.
À época, a chapa que venceria o pleito, “USP pelas Pessoas”, formada por Segurado e Liedi Légi Bariani Bernucci, agradeceu às entidades pelo envio do documento, manifestou compromisso programático “com todas [as] iniciativas de melhoria da gestão da Universidade” e informou que o conteúdo seria “cuidadosamente lido e analisado pelos candidatos”.
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