Conjuntura Nacional
Andes-SN lança caderno sobre 60 anos do golpe de 1964, resultado de seminário que abordou políticas de memória, verdade, justiça e reparação
O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) publicou o seu Caderno no 30, intitulado Memória, Verdade, Justiça e Reparação: 60 anos do Golpe de 1964, disponível para leitura e download no site da entidade.
A edição reúne artigos e análises sobre a Ditadura Militar (1964-1985) e suas repercussões na sociedade brasileira até a atualidade. Sete dos textos presentes na publicação foram apresentados durante o seminário “60 anos do Golpe de Estado de 1964 – Memória, Verdade, Justiça e Reparação”, realizado em novembro de 2024 na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.
O caderno é aberto com o texto “O sentido de classe do Golpe de 1964 e da ditadura: um debate necessário em tempos de neofascismo”, de Gilberto Calil, docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
O autor ressalta que “o golpe de 1964 foi resultado de uma ampla articulação que envolveu grupos civis e militares, associações da sociedade civil e entidades de classe representativas de diferentes setores da burguesia brasileira”, não sendo, portanto, “fruto do improviso”, mas resultado de um projeto “sistemática e metodicamente preparado, atendendo interesses sociais e viabilizando a afirmação de uma nova etapa do desenvolvimento do capitalismo brasileiro”.
Gilberto de Souza Marques, Indira Rocha Marques (ambos docentes da Universidade Federal do Pará-UFPA) e Rodolfo Costa Machado, professor da rede municipal de São Paulo, analisam diversas formas de violência cometidas contra povos indígenas no artigo “Povos originários amazônicos sob violações de empresas durante a ditadura”.

O caderno traz um texto da ativista uruguaia Lilian Celiberti, que foi sequestrada com seu então companheiro Universindo Díaz e duas crianças por um comando do Exército uruguaio, com apoio de agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do Rio Grande do Sul, numa ação da Operação Condor realizada em Porto Alegre, em 1978.
Lilian faz uma homenagem ao historiador Enrique Padrós, professor do Departamento de História da UFRGS, nascido no Uruguai e falecido em 2021, cuja trajetória foi marcada pela investigação do Terrorismo de Estado e das ditaduras do Cone Sul.
A publicação inclui ainda uma entrevista com a antropóloga argentina María Alejandra Esponda, professora da Universidade Nacional Arturo Jauretche, cujo pai é um dos “desaparecidos” da última ditadura militar implantada na Argentina (1976-1983) e cuja mãe sobreviveu a um centro clandestino de detenção no período. Alejandra aborda temas como a relação entre as ditaduras em seu país e no Brasil e as disputas sobre memória no cenário político argentino.
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