Um eventual retorno do bolsonarismo ao poder “seria catastrófico para as universidades, a ciência, a educação, a saúde pública, o meio ambiente, a democracia, a soberania e o direito à vida” e, portanto, seria “desastroso para a sociedade brasileira”. É o que destaca o abaixo-assinado “Docentes da USP. Pela vida, contra a barbárie, em defesa da ciência, da educação pública, da democracia e do direito à vida”, elaborado por Professores(as) Titulares da universidade e disponível na Internet desde esta segunda-feira, 13 de outubro.

O texto chama atenção para, por um lado, as medidas adotadas pelo governo Bolsonaro (2019-2022), como a postura negacionista frente à Covid-19, responsável por centenas de milhares de óbitos; o aumento de 54% no desmatamento; a vocação golpista — “planos que incluíam homicídios e a instauração de um regime de exceção”.

Por outro lado, o abaixo-assinado indica avanços ocorridos no atual governo Lula, tais como a queda de 51% no desmatamento; a queda do desemprego e da inflação; a retomada de programas de apoio à população carente, que “retirou o Brasil do mapa da fome”.

O documento lembra ainda que o governo Trump “não oculta pretensões sobre as terras raras e outras riquezas nacionais”, ao passo que a família Bolsonaro “também não dissimula sua subserviência a essas pretensões”. A conjuntura atual, acrescenta, “em que forças extremistas atuam internacionalmente de forma cada vez mais belicista e articulada, em aberto desrespeito ao direito internacional, prefigura o risco de que todas essas ações adquiram dimensões ainda mais bárbaras”.

Diante desse grave perigo, finaliza, “conclamamos a votar, no segundo turno das eleições nacionais, na chapa Lula-Alckmin, e a somar esforços para a mais ampla unidade com esse objetivo”.

O texto do abaixo-assinado, que já conta com a assinatura de 1.100 docentes, e o formulário de adesão estão disponíveis aqui.

“Docentes da USP. Pela vida, contra a barbárie” (íntegra)

Nós, professores da Universidade de São Paulo abaixo assinados, sabemos que a destinação de recursos para pesquisa e inovação cresceu significativamente durante o atual governo federal depois da redução drástica que eles tinham sofrido sob o bolsonarismo. Não esquecemos que as universidades públicas ficaram sem recursos, e pior, foram difamadas e atacadas pelas autoridades que o governo Bolsonaro nomeou em altos cargos para Educação, Ciência e Tecnologia, Saúde, Cultura e Meio Ambiente, autoridades cujo despreparo comprometeu políticas essenciais ao país.

Como cientistas, temos uma responsabilidade particular: não podemos alegar desconhecimento de temas sobre os quais dispomos de evidências, nem de dados que, caso não tenhamos presentes, conhecemos fontes confiáveis para conferir. Portanto, não ignoramos que:

  • Antes das vacinas, o distanciamento e o uso de máscaras eram essenciais para reduzir os contágios e as mortes por covid-19. Mas o governo Bolsonaro favoreceu a disseminação do vírus ao combater o distanciamento, promover medicamentos demonstradamente ineficazes e recusar e, depois, atrasar a compra de vacinas. Muitas mortes por falta de oxigênio na pandemia também teriam se evitado com planejamento de saúde pública.
  • O desmatamento e as queimadas agravam secas severas e chuvas intensas, que destroem moradias e ceifam vidas. No governo de Jair Bolsonaro, o desmatamento aumentou 54% em relação ao governo anterior. Com o atual governo federal, verificou-se uma redução de 51% desde 2022 (dados do Terra Brasilis/INPE).
  • O governo Trump não oculta pretensões sobre as terras raras e outras riquezas nacionais, como a família Bolsonaro também não dissimula sua subserviência a essas pretensões.
  • As investigações sobre a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023 comprovaram planos que incluíam homicídios e a instauração de um regime de exceção.
  • A conjuntura atual, em que forças extremistas atuam internacionalmente de forma cada vez mais belicista e articulada, em aberto desrespeito ao direito internacional, prefigura o risco de que todas essas ações adquiram dimensões ainda mais bárbaras.
  • Com o atual governo federal, o desemprego caiu, atingindo 5,6% em agosto passado, e também a inflação diminuiu, de 25,26% no governo anterior a 18,2% no atual.
  • A retomada de programas de apoio à população carente retirou o Brasil do mapa da fome, e as cotas ampliaram o acesso às universidades, inclusive para integrantes de famílias beneficiadas por esses programas. Essas conquistas de inclusão social são objeto de hostilidade por parte do bolsonarismo, como mostram as recentes ameaças recebidas pela UFPE e a UFF, as invasões na UFAL, e as ações provocadoras que têm acontecido nos últimos anos em espaços da USP, Unicamp, Unifesp e outras instituições.

Podemos prever, portanto, que o retorno ao poder do bolsonarismo seria catastrófico para as universidades, a ciência, a educação, a saúde pública, o meio ambiente, a democracia, a soberania e o direito à vida. Seria, enfim, desastroso para a sociedade brasileira.

Diante desse grave perigo, conclamamos a votar, no segundo turno das eleições nacionais, na chapa Lula-Alckmin, e a somar esforços para a mais ampla unidade com esse objetivo.

EXPRESSO ADUSP


    Se preferir, receba nosso Expresso pelo canal de whatsapp clicando aqui

    Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!