Realizada nesta terça-feira, 13 de outubro, a Assembleia Geral da Adusp decidiu indicar voto na chapa Lula-Alckmin no segundo turno da eleição presidencial, que ocorrerá no próximo dia 25 de outubro.

A decisão foi tomada após intenso debate, com ampla participação de docentes que se encontravam no Auditório Gleb Wataghin, do Instituto de Física, na Cidade Universitária do Butantã. Também houve participação remota, por videoconferência, nas regionais da Adusp.

De acordo com manifesto cuja elaboração foi decidida na Assembleia Geral, e confiada a uma comissão encarregada de resumir o teor do debate, a reeleição de Lula-Alckmin “é necessária para defender as universidades e mais verbas para a educação pública, ciência, tecnologia e cultura; defender os serviços e o funcionalismo públicos; seguir defendendo a revogação das reformas previdenciárias e trabalhistas; defender a liberdade de pensar e de ensinar; preservar o ambiente e a natureza; impedir novas ofensivas contra os direitos sociais; defender a diversidade racial, étnica, de gênero, de orientação sexual, de nacionalidade, etária e religiosa; e defender as conquistas sociais e as liberdades democráticas da Constituição de 1988”.

Para garantir os princípios acima, destaca o manifesto, “é necessário derrotar Flávio Bolsonaro e seu vice, Alfredo Gaspar, que reivindicam publicamente o legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro”.

O texto lembra que o governo Jair Bolsonaro (2019-2022) foi marcado por cortes na educação, ataques à autonomia universitária, interferência nas escolhas de reitores e promoção da militarização das escolas, e que esse histórico ultrapassa o campo educacional.

“Os ataques ao conhecimento e à ciência, numa perspectiva negacionista e obscurantista, levaram a consequências drásticas na condução da pandemia da Covid-19 e avanço na devastação dos nossos biomas”, pontua. “Após a derrota nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro participou de uma trama golpista para impedir a alternância de poder, pela qual foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal”, registra.

“Os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, ocorreram nesse contexto de crise institucional. Durante a campanha de 2026, Flávio Bolsonaro declarou que pretende receber a faixa presidencial das mãos do pai e conceder-lhe anistia caso seja eleito”.

Por fim, o texto assinala que a deliberação da Assembleia Geral “não representa adesão partidária nem apoio a qualquer governo”, e que a Adusp “continuará a reivindicar financiamento adequado para as universidades públicas, valorização do trabalho docente e garantia dos direitos sociais” (leia ao final a íntegra do manifesto).

A comissão que preparou o manifesto está igualmente encarregada de propor atividades de campanha nesta reta final do processo eleitoral de segundo turno, de modo que docentes que tenham interesse em participar possam se engajar.

A Assembleia Geral decidiu, ainda, que a Adusp elabore e publique um detalhado dossiê sobre o governo de Jair Bolsonaro, tendo em vista as graves implicações para o país de uma eventual vitória da candidatura do Partido Liberal, que, como já mencionado, tenderia a reeditar práticas deletérias e destrutivas das liberdades democráticas e dos direitos sociais.

A seguir a íntegra do manifesto encaminhado pela Assembleia Geral.

Em defesa da democracia, da universidade, do conhecimento e da vida, Adusp indica voto na chapa Lula-Alckmin no segundo turno

A Adusp, em sua Assembleia Geral do dia 13 de outubro, decidiu pela indicação de voto na chapa Lula-Alckmin no segundo turno da eleição presidencial de 2026.  Convidamos todas as pessoas a se engajarem conosco na mobilização e na campanha para sua reeleição.

A reeleição de Lula-Alckmin é necessária para:

  • defender as universidades e mais verbas para a educação pública, ciência, tecnologia e cultura;
  • defender os serviços e o funcionalismo públicos;
  • seguir defendendo a revogação das reformas previdenciárias e trabalhistas;
  • defender a liberdade de pensar e de ensinar;
  • preservar o ambiente e a natureza;
  • impedir novas ofensivas contra os direitos sociais;
  • defender a diversidade racial, étnica, de gênero, de orientação sexual, de nacionalidade, etária e religiosa; e
  • defender as conquistas sociais e as liberdades democráticas da Constituição de 1988.

Para garantir os princípios acima, é necessário derrotar Flávio Bolsonaro e seu vice, Alfredo Gaspar, que reivindicam publicamente o legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O governo Jair Bolsonaro foi marcado por cortes na educação, ataques à autonomia universitária, interferências nas escolhas de reitores e promoção da militarização das escolas. Esse histórico ultrapassa o campo educacional. Os ataques ao conhecimento e à ciência, numa perspectiva negacionista e obscurantista, levaram a consequências drásticas na condução da pandemia da Covid-19 e avanço na devastação dos nossos biomas. Após a derrota nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro participou de uma trama golpista para impedir a alternância de poder, pela qual foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, ocorreram nesse contexto de crise institucional. Durante a campanha de 2026, Flávio Bolsonaro declarou que pretende receber a faixa presidencial das mãos do pai e conceder-lhe anistia caso seja eleito.

A experiência internacional mostra que governos eleitos podem corroer gradualmente as instituições democráticas, sem necessariamente romper a ordem constitucional. Em vários países, segundos mandatos de governos autoritários coincidiram com o aprofundamento de medidas que visam controlar as instituições, enfraquecendo o pluralismo político. A América Latina passa por expansão de governos de direita e extrema-direita, articulados com a ofensiva imperialista estadunidense, com a qual Flávio Bolsonaro coaduna. As eleições do Brasil, tendo em vista seu caráter continental, são importantes para a defesa da soberania nacional e de nossos territórios, em resistência contra invasões e saques estrangeiros.

Esses riscos ganham particular gravidade na atual conjuntura política brasileira. Flávio Bolsonaro declarou que pretende aproveitar a nova composição do Congresso para promover mudanças na Constituição, incluindo uma reforma do Judiciário. Sob o discurso de modernização institucional, a combinação de maioria parlamentar, reformas constitucionais e mudanças na composição do Supremo pode abrir caminho para uma agenda reacionária e regressiva, capaz de enfraquecer os mecanismos de controle do Executivo, comprometer a independência dos Poderes e restringir direitos conquistados na redemocratização. Em vez de fortalecer a democracia, esse processo pode subordinar as instituições aos interesses da extrema-direita e fragilizar as garantias constitucionais que protegem a sociedade contra o arbítrio.

A Adusp reafirma os princípios da soberania popular, dos direitos humanos, da ciência, da preservação socioambiental, da educação pública e da autonomia universitária. A deliberação de sua Assembleia Geral não representa adesão partidária nem apoio a qualquer governo. A entidade continuará a reivindicar financiamento adequado para as universidades públicas, valorização do trabalho docente e garantia dos direitos sociais. Dada a gravidade das ameaças que se avizinham numa eventual eleição de Bolsonaro-Gaspar, a Adusp indica apoio à chapa Lula-Alckmin e convida a todas e todos a se engajar na campanha.

EXPRESSO ADUSP


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