Memória
Ato exige justiça no caso do jovem Marco Aurélio Cárdenas Acosta, assassinado por policiais militares em 2024

Na noite de quarta-feira, 14 de outubro, no Auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), foi realizado o ato “Justiça por Marco Aurélio”, em solidariedade à família do estudante de Medicina de 22 anos assassinado por um policial militar em novembro de 2024, em São Paulo. A iniciativa foi da Ação dos Cristãos para Abolição da Tortura (ACAT Brasil) e do SJSP.
Marco Aurélio Cárdenas Acosta cursava o quinto ano do curso de Medicina da Faculdade Anhembi-Morumbi quando foi perseguido por dois policiais militares e morto a tiros no hotel em que estava hospedado na Vila Mariana, na Zona Sul da capital. Os policiais militares Bruno Carvalho do Prado e Guilherme Augusto Macedo respondem por homicídio qualificado.
No dia 9 de outubro, o Ministério Público Federal requereu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a prisão preventiva do PM Macedo, autor do disparo que matou o jovem. Macedo continua em liberdade. O parecer assinado pelo subprocurador-geral da República José Elaeres Marques Teixeira é favorável a um recurso impetrado no STJ por Júlio César Acosta Navarro, pai do estudante, que atua ao lado da acusação no processo.
Peruano, residente no Brasil há décadas, Navarro é professor colaborador do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas. É doutor e pós-doutor em cardiologia pela Faculdade de Medicina e doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam-USP). Sua esposa, Silvia Mónica Cárdenas Prado, mãe de Marco Aurélio, é médica do HC.

Além dos pais do jovem, participaram do evento no SJSP Bruna Ferrari, pós-doutoranda no Núcleo de Estudos da Violência (NEV-USP); Camila Torres César, representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP e doutoranda em Direitos Humanos pela USP; e Alfredo Athié, desembargador do Tribunal de Justiça (TJ-SP). Vilma Amaro, diretora do SJSP, mediou o debate.
Navarro relatou aos presentes que na madrugada do dia 20 de novembro de 2004, tornou-se “o homem mais infeliz e triste do mundo”, depois que foi acordado, às três da manhã, “porque me avisaram que meu filho tinha sido atacado por dois policiais em um hotel próximo, quando estava com a namorada”. Correu até o local, e encontrou os PMs, que não lhe deram informações.
“Tive que ir correndo no hospital, encontrei meu filho agonizando”, contou. “Nesse dia, o mundo acabou para toda a família. A mãe, a filha, toda a família. No meio da dor, no mesmo dia, com as imagens do hotel, a gente denunciou, no mesmo momento, a polícia, a Secretaria de Segurança, o governador”.
O cardiologista classificou como covardia o assassinato de Marco Aurélio pelos PMs — “Meu filho estava de chinelo, sem camisa, e eles, treinados profissionalmente, com colete antibalas, com todas as armas” — e lembrou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) responde por “massacres de outros inocentes, antes da morte de meu filho”.
A gravação em vídeo do evento está disponível no canal do SJSP no You Tube.
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