Memória
Nesta sexta 30, às 14h, comitê homenageia Santo Dias, assassinado pela Polícia Militar em 1979, durante a greve da Sylvania
Nesta sexta-feira, 30 de outubro, às 14h00, na altura do número 200 da Rua Quararibéia, em Santo Amaro, zona sul da capital paulista, um ato público homenageará a memória do líder metalúrgico Santo Dias da Silva, assassinado pela Polícia Militar durante a greve dos trabalhadores da fábrica norte-americana Sylvania, realizada em 1979. A empresa deixou o bairro em 2007, mas a família e os amigos de Santo Dias lutam contra o esquecimento.
“O pedestre que caminha hoje pela pequena rua Quararibeia, na zona sul de São Paulo, pode se surpreender ao notar a tinta vermelha que marca o asfalto com os dizeres ‘Aqui foi assassinado o operário Santo Dias da Silva no dia 30-10-1979 pela Polícia Militar’. Apesar do desgaste provocado pelos carros que passam diariamente, a mensagem carregada com a tinta provoca reflexão. Quem foi esse operário? Por que foi assassinado? Em que contexto?”, indaga a historiadora Anaclara Volpi Antonini.
No terreno antes ocupado pela Sylvania, que produzia lâmpadas elétricas e tubos para televisores, há atualmente um conjunto de edifícios residenciais. “A fábrica, parte do eixo industrial que se desenvolveu na região sul da cidade, foi inaugurada em 1961 e funcionou na mesma localidade até 2007”, relata Anaclara.
A homenagem desta sexta está sendo convocada pelo Comitê Santo Dias da Silva, criado pela família. Após a homenagem, como ocorre todos os anos desde seu assassinato, um cortejo seguirá até o Cemitério Campo Grande, onde o lider operário foi enterrado em 1979. Na ocasião, o cortejo fúnebre reuniu milhares de pessoas, transformando-se numa passeata carregada de emoção e simbolismo político.

“Todos estão convidades, trabalhadoras e trabalhadores, para celebrar os 47 anos de memória, vida, luta e martírio de Santo Dias da Silva. Militante da Pastoral Operária, do movimento de oposição sindical, ministro da Eucaristia e coordenador de Comunidade Eclesial de Base, Santo viveu e lutou contra a ditadura militar — e no dia 30 de outubro de 1979, a Polícia Militar do Estado de São Paulo o assassinou, durante um piquete de greve dos trabalhadores metalúrgicos em frente à fábrica Sylvania em Santo Amaro”, diz o texto divulgado pelo Comitê Santo Dias da Silva. “Santo Vive! Continua presente na luta da classe trabalhadora”.
Professora da rede municipal de ensino, Luciana Dias da Silva, filha de Santo Dias, relatou ao Informativo Adusp Online as circunstâncias do assassinato do militante da Oposição Sindical Metalúrgica. “Queriam sumir com o corpo dele, colocaram num camburão e minha mãe com apenas 36 anos entrou no carro e os policiais gritando, a chamavam de comunista e subversiva. Diziam que jogariam o corpo do meu pai e ela num terreno baldio”, relembra.
“Ao chegarem ao Instituto Médico Legal, dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, apareceu, então o tratamento foi outro. Reconheceram que haviam matado um pai de família e queriam dar um velório e enterro de primeira, mas minha mãe recusou. Seu velório foi na igreja da Consolação e seu corpo levado em cortejo à Praça da Sé, por cerca de trinta mil pessoas”, destaca Luciana. “Há 47 anos voltamos ao local de seu assassinato e escrevemos no chão, com tinta vermelha, para que todos saibam o que é viver sob uma ditadura militar”.
O livro Santo Dias – Quando o passado se transforma em História (Editora Fundação Perseu Abramo, 2019), de autoria de Luciana e das jornalistas Jô Azevedo e Nair Benedicto, está disponível em PDF e pode ser baixado gratuitamente aqui.
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