Democracia na USP
Reforma agrária e agroecologia: a importância do debate na ESALQ-USP
Evento em Piracicaba nesta terça 28/11 discute a participação da universidade pública na discussão de temas relevantes para a vida universitária e a democracia
Nesta terça-feira, dia 28/11, com realização prevista para entre 18 e 21 horas, acontece a mesa redonda “Universidade como patrimônio público a serviço da sociedade: reforma agrária, agricultura familiar, agroecologia e liberdade de expressão”, no Anfiteatro da Engenharia da ESALQ, em Piracicaba. O evento é gratuito, com inscrições no local a partir das 17 horas.
De acordo com os organizadores, “o objetivo é o de reafirmar o princípio da liberdade de expressão, da democracia e o compromisso do patrimônio público que é a Universidade, com todas as demandas sociais por geração de trabalho e renda, educação e alimentos saudáveis, bem como com todas as modalidades de agricultura”.
Os palestrantes convidados a compor a mesa são Mariana Lemos (União Nacional dos Estudantes) João Pedro Stédile (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), Rodrigo Ricupero (Associação dos Docentes da USP), Alcimir Antonio do Carmo (assessor de comunicação e relações internacionais da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo), Luciana Jacob (Associação Brasileira de Agroecologia), Luiz Carlos Guedes Pinto (ex-ministro da Agricultura) e um representante da Direção da ESALQ. Diversas organizações e autoridades da região também estarão presentes e farão pronunciamentos de 1 minuto ao final das falas dos componentes da mesa. O evento é um desdobramento da realização da Oficina Lona Preta, atividade da IV JURA ESALQ (Jornada Universitária de apoio à Reforma Agrária) que aconteceu em abril no campus da USP de Piracicaba, e de sua repercussão. A atividade consistiu na montagem de uma barraca de lona preta, similar àquelas usadas nos acampamentos, leitura de uma peça teatral (Mutirão em Novo Sol, de Augusto Boal, que aborda os conflitos no campo) e um bate papo sobre a organização e condições de vida nos assentamentos e acampamentos do MST.
Sindicância
Depois dessa oficina, foi aberta sindicância na ESALQ para apurar responsabilidades pela sua realização. Essa sindicância, segundo a justificativa da direção, foi em decorrência de um pedido de apuração com base em uma “comoção” gerada por boatos de que o MST estaria promovendo uma invasão do campus.
A abertura da sindicância teve repercussão nacional e internacional, gerando manifestações de apoio ao professor Marcos Sorrentino, da ESALQ, e à realização da JURA, como o documento subscrito por 272 organizações, instituições e movimentos sociais nacionais e internacionais e o manifesto elaborado por pesquisadores de instituições de educação superior do Brasil e do exterior, com 368 assinaturas. Além de um abaixo assinado de pessoas físicas com mais de 2.700 assinaturas.
Todos esses documentos foram entregues em mãos ao diretor da ESALQ, professor Luiz Gustavo Nussio, e ao prefeito do campus, professor Fernando Seixas, em 22/11. No dia seguinte, o professor Sorrentino ocupou a tribuna da Câmara dos Vereadores de Piracicaba, onde defendeu a importância do diálogo com todos os setores da sociedade.
O diálogo, ao lado da liberdade de expressão, é uma das principais preocupações do evento deste dia 28/11, que ressalta a importância de a universidade ser um território de diálogo entre diferentes pontos de vista. “Uma sindicância como essa tem um caráter de triagem ideológica, que busca dificultar e até mesmo impedir a manifestação de visões diferentes, que questionam o status quo”, aponta Sorrentino. “Queremos trazer e intensificar o debate sobre reforma agrária, agroecologia, agricultura familiar para dentro da universidade, como forma de enfrentar problemas fundamentais de nossa sociedade, como a fome, a pobreza e a crise ambiental”, complementa.
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