Adusp
Assembleia declara apoio à luta estudantil; repudia “enfaticamente” uso da PM, criminalização e judicialização; e propõe à Reitoria retomada imediata do diálogo
A Assembleia Geral da Adusp realizada nesta segunda-feira, 18 de maio, aprovou moção amplamente favorável à luta dos estudantes, reforçando, assim, a posição já manifestada pela Diretoria da entidade em defesa da não criminalização do movimento estudantil e do direito democrático de organização e manifestação dentro da universidade pública.
“As mobilizações em curso expressam reivindicações legítimas relacionadas às condições de permanência estudantil, ao calendário acadêmico e às condições concretas de vida e estudo da comunidade universitária. Muitas dessas pautas também são defendidas historicamente pela Adusp e fazem parte das lutas em defesa da universidade pública, democrática e socialmente comprometida”, diz a moção.
“A Assembleia manifesta preocupação com as atitudes da Reitoria neste processo. Destacamos a dificuldade de construção de canais efetivos de negociação e a posição inflexível da Pró-Reitoria de Graduação em relação ao calendário escolar. Em uma universidade pública, divergências políticas e conflitos institucionais devem ser enfrentados por meio do diálogo, da mediação e da negociação democrática”, pondera.
“A criminalização de estudantes e o recurso a mecanismos de coerção estatal representam um caminho incompatível com a vida universitária e com os princípios democráticos que devem orientar a convivência na universidade”, adverte a moção.
“Repudiamos, assim, enfaticamente que a administração central desta universidade lance mão do uso da violência estatal, convocando a Polícia Militar do Estado de São Paulo para resolver questões internas, que podem ser resolvidas em mesas de negociação; no mesmo sentido, repudiamos a judicialização contra os movimentos estudantis, que estão em luta por uma pauta justa”.
Prossegue, avançando na crítica: “Os estudantes não podem ser criminalizados e seus pertences, apropriados indevidamente durante a ação da polícia na desocupação da Reitoria, devem ser restituídos. Neste contexto, os acontecimentos recentes na USP, lamentavelmente, revelam-se como parte de um projeto mais amplo de Estado e de sociedade, no qual a repressão direta opera como momento específico de sustentação de um processo estrutural de precarização da vida e da tentativa de eliminação das formas de organização coletiva”.
Por fim, a Assembleia Geral da Adusp defende “a retomada imediata do diálogo entre Reitoria e estudantes, a busca de soluções negociadas para o calendário acadêmico e o reconhecimento da legitimidade da participação estudantil na vida política da universidade”.
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