Conjuntura Política
Pela saúde, pela vacinação e pela vida de todas as pessoas
Nota da Diretoria da Adusp
A Diretoria da Adusp está acompanhando de perto as discussões sobre a vacinação e tem batalhado, há muitos meses, para que todas as pessoas tenham direito à vacina. Ocorre que a inépcia do governo federal submeteu o país a uma situação distópica, na qual não há uma definição clara de quem deve ter prioridade no acesso à vacina.
Apesar de existir oficialmente um Plano Nacional de Imunização (PNI), prevalecem os planos municipais, que estão adotando diferentes critérios para o estabelecimento de grupos prioritários. A título de exemplo, as/os estudantes dos últimos anos da área de saúde de São Paulo só foram incluídos na semana passada, diferentemente de outros municípios. O mesmo ocorre com pesquisadoras/es que têm lidado diretamente com o Sars-CoV-2 ou com amostras contaminadas, sendo que colegas da Unicamp foram vacinadas/os, enquanto as/os da USP ainda não.
Entendemos a necessidade absoluta de que todas/os sejam vacinadas/os, mas a ordem de priorização parece-nos que deve levar em conta o risco de contaminação e morte. A necessidade de vacinar professoras/es da educação básica se deve à determinação de retorno às aulas presenciais pelo governo Doria-Garcia, com consequente aumento do número de mortes nessa categoria profissional (de acordo com relatório Dieese o número dobrou em relação ao ano passado). O mesmo vale para a decisão de antecipar a vacinação para motoristas de ônibus, a categoria profissional com maior índice de mortalidade.
Há notícia de que a Reitoria está em contato direto com as secretarias estadual e municipais, mas não se sabe os termos de eventuais tratativas. Colegas da Faculdade de Medicina (FM) fazem parte do Comitê de Contingência do governo estadual e supõe-se que os critérios adotados levem em conta os riscos de contaminação e morte.
A situação é bastante complexa e coloca a todas/os frente a dilemas éticos e morais. Há trabalhadoras/es que não têm a chance de realizar trabalho remoto e, certamente, estão submetidas/os a maior risco. O confronto dos índices de vacinação e mortalidade nas regiões periféricas e nos bairros centrais da cidade de São Paulo é revelador dessa desigualdade.
Precisamos cobrar que a USP adote as mais seguras condições de trabalho e estudo durante o período de risco de contaminação; o estabelecimento de protocolos de rastreamento de contágio e de estatísticas da situação atual da comunidade ligada à instituição — e a publicação do número de falecimentos e de pessoas contaminadas, pois esses dados são fundamentais para subsidiar a implementação de políticas sanitárias. Além disso, que adote o protocolo TRIS (Testagem em massa, Rastreamento de contatos e Isolamento com suporte).
A Diretoria da Adusp continuará lutando pela vacinação de todas as pessoas e atenta à movimentação da Reitoria junto aos governos estadual e municipais.
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