Adusp realiza Assembleia Geral no dia 7 de abril para discutir proposta de reajuste do Fórum das Seis; Cruesp questiona índice de cálculo das perdas salariais
Entidades se reuniram com técnicos do Cruesp na Unicamp (foto: Bahiji Haji)

A Adusp realiza Assembleia Geral na próxima terça-feira (7 de abril), às 16h, para discutir a Pauta Unificada proposta pelo Fórum das Seis para a data-base deste ano. A AG ocorre no auditório Cesar Lattes do Instituto de Física da USP, com participação por videoconferência nas regionais do interior e transmissão pelo YouTube. De acordo com o Fórum, a perda salarial das categorias entre maio de 2012 e janeiro de 2026 é de 14,16%. A reivindicação da Pauta Unificada é de reposição das perdas do período de maio de 2012 a abril de 2026 (compostas pela inflação dos últimos 12 meses mais o que falta para recompor o poder aquisitivo de maio de 2012).

A discussão sobre o índice utilizado para calcular as perdas salariais e, consequentemente, a composição do índice de reajuste que as categorias vão reivindicar na data-base de 2026 marcou a reunião dos(as) representantes do Fórum das Seis com os técnicos do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada no dia 26 de março na Reitoria da Unicamp.

As representações das duas partes também discutiram o comportamento da arrecadação do ICMS nos primeiros meses do ano. Em janeiro, a arrecadação esteve abaixo do projetado, mas subiu em fevereiro. O Fórum segue acompanhando os números.

Os técnicos do Cruesp questionaram o Fórum das Seis por haver alterado o índice que utilizava como parâmetro do cálculo da inflação. Historicamente, as entidades adotavam o índice do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O cálculo do Dieese foi utilizado a partir de uma escolha cuidadosamente estudada à época, baseada na comparação entre diferentes indicadores e na opção por um índice comprometido com a realidade do mundo do trabalho.

Com a extinção desse indicador, em 2020, o Fórum passou a utilizar um modelo híbrido, que levava em conta a série histórica calculada pelo Dieese e, a partir de então, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Diferenças de metodologia se expressam nos números

Recentemente, o Fórum das Seis adotou como referência o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também calculado pelo IBGE, porque é um indicador oficial, de abrangência nacional e que considera uma cesta de produtos para uma faixa de renda de um a 40 salários mínimos.

Além disso, o parâmetro utilizado pelo Cruesp, o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-FIPE), restringe-se ao município de São Paulo, utiliza média geométrica (o que tende a suavizar aumentos), adota mecanismos de substituição de produtos que diluem altas de preços e reflete uma faixa de renda distante da realidade da comunidade de trabalhadores(as) representados(as) pelo Fórum das Seis. Sua cesta de produtos considera uma família com renda de 1 a 10 salários-mínimos, o que não é o caso de uma parcela relevante de docentes e de funcionários(as) técnico-administrativos(as).

“O IPCA é um índice público, transparente, nacional e o consideramos metodologicamente mais adequado como referência geral para a recomposição salarial”, diz Márcio Moretto, presidente da Adusp e integrante do GT Verbas Adusp/Fórum.

A diferença de metodologia se reflete nos números. O IPCA-IBGE dos últimos 12 meses (até fevereiro de 2026) é de 3,81%. O IPC-FIPE do período ficou em 3,53%.

Na sequência da reunião, a representação do Fórum devolveu a pergunta aos técnicos do Cruesp, que se limitaram a dizer que consideram o IPC-FIPE — calculado, vale lembrar, por uma fundação privada dita “de apoio” à Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP — um índice mais adequado, resposta que as entidades sindicais consideram pouco satisfatória.

O coordenador do Fórum, João da Costa Chaves Júnior, diretor da Adunesp, ressaltou que, além dos aspectos técnicos, a opção pelo índice é uma escolha política e autônoma das entidades, que não cabe ao Cruesp questionar.

EXPRESSO ADUSP


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