Condições de trabalho
Sede do Núcleo da Consciência Negra sofre danos e enfrenta assédio da Coesf
A sede do Núcleo da Consciência Negra da USP (NCN), que ocupa um galpão em área próxima à Faculdade de Economia e Administração (FEA), foi vítima de furto, no final de julho, depois que a Reitoria demoliu a ala que era ocupada pelo Centro Acadêmico Visconde de Cairu (CAVC).
“Verificamos que o Núcleo havia sido furtado num final de semana. Isto aconteceu depois que o espaço de convivência do CAVC foi transferido de local, e a Coesf [Coordenadoria do Espaço Físico] iniciou a demolição parcial sem nos comunicar o que fariam. Eles derrubaram paredes que dividiam os dois espaços e retiraram o telhado, deixando o NCN totalmente vulnerável ao acesso externo. Foram furtados vários equipamentos que utilizamos em sala de aula e consideramos a Coesf responsável pelo ocorrido”, explica Maria José Menezes, a Zezé, funcionária do Instituto de Ciências Biomédicas e colaboradora do NCN. Foram furtados um retroprojetor, um computador e aparelhos de DVD.
“É impressionante que em um espaço acadêmico ocorra tamanha arbitrariedade. Por conta dessa ocorrência, adiamos o início das aulas do cursinho [que o núcleo oferece]. Ontem (9/8) um dos trabalhadores da obra caiu do teto, em cima da pia da cozinha. Felizmente ele não se machucou, mas destruiu parte do telhado”, relata Zezé. Ela acredita que não vale a pena tentar resolver a situação com o professor Antonio Massola, titular da Coesf: “Massola quer que a gente saia, não adianta conversar com ele”.
Perseguição
O NCN ocupa a sede atual há 15 anos, mas desde 2010 vem sendo objeto de perseguição ostensiva da Coesf. Embora a Comissão de Orçamento e Patrimônio (COP) tenha dado parecer favorável à formalização do Termo de Permissão de Uso, Massola vetou a permanência da entidade no local (Informativo Adusp 321). “O núcleo não recebeu qualquer notificação sobre a desocupação do espaço, porém em 21/12/2011, em pleno período de recesso e com a universidade completamente esvaziada, houve uma tentativa de derrubar o barracão que só foi barrada graças a uma intensa campanha de defesa”.
Zezé não sabe a que propósito se prestam as tentativas de despejo do NCN: “No ano passado, a justificativa da demolição dos barracões era a construção da ‘Nova ECA’, mas segundo o USP Destaques 50, no qual pautaram o NCN, o local seria utilizado para construir um Centro de Difusão Internacional. No local atual do núcleo, seria construido o estacionamento do Centro”.
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