Ditadura militar
Centro de Vivências da Esalq passa a chamar-se “Luiz Hirata”, em homenagem a agrônomo assassinado pela Ditadura Militar
A pedido da Frente de Defesa da Democracia “Luis Hirata”, o Conselho Gestor do Campus Luiz de Queiroz, da USP de Piracicaba, aprovou por unanimidade na sua reunião de fevereiro uma nova designação para o Centro de Vivências da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que desde então passa a chamar-se “Luiz Hirata”, em homenagem ao engenheiro-agrônomo graduado por aquela unidade e morto sob torturas há cinquenta anos. Hirata militava na Ação Popular (AP), grupo clandestino de oposição à Ditadura Militar (1964-1985).
“Como é notório e público por meio de estudos científicos e comissões estaduais e nacionais de inquérito, este estudante da Esalq foi encarcerado em 1966 por participar de manifestações estudantis e foi torturado e assassinado nas dependências do aparelho repressivo do regime ditatorial (DOPS) em 1971”, afirma o documento submetido pela Frente ao Conselho Gestor.
“Diante desse contexto e por ocasião do cinquentenário do assassinato deste esalqueano, em 2021, essa Frente de Defesa da Democracia planeja organizar ao longo do ano uma série de eventos para revigorar a memória deste período sombrio de autoritarismo”, continua. “Neste âmbito, consideramos que a formalização do nome de Luiz Hirata para o Centro de Vivência, localizado na colônia central da Esalq-USP, ao lado do Prédio Principal, constitui uma homenagem das mais significativas”.
Ainda segundo o documento da Frente, Hirata foi um aluno muito preocupado com as mazelas sociais do país. “Conhecido na Esalq por seu apelido, ‘Lua’, esteve engajado em muitas atividades de apoio às populações mais marginalizadas, como foi a sua participação em projetos de alfabetização de adultos nas periferias de Piracicaba, o que provocou sua perseguição pela Ditadura. Estava no quarto e último ano de Agronomia na Esalq quando precisou fugir da repressão”, explica.
“Corria o ano de 1968 e a perseguição política era acirrada em decorrência do Ato Institucional nº 5. Mesmo fazendo parte da comissão de formatura, optou por não colar grau e não participar das festividades para preservar sua integridade física, pois, naquele contexto, o esalqueano já sabia que estava sendo vigiado diariamente e sua vida corria perigo”, relembra o texto.
No entender da Frente, a trajetória de luta de Luiz Hirata “é a prova [de] que nossa comunidade acadêmica também esteve do lado da democracia e lutou pela liberdade em tempos de Ditadura, o que colabora para desmistificar ideias preconceituosas de que a Esalq foi totalmente atrelada às determinações dos generais durante 1964 e 1985”.
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