Movimento Estudantil
DCE quer mobilizar sentimento “anti-Rodas” para luta concreta
Não vou me adaptar”, chapa que venceu as eleições para o DCE com quase 7 mil votos (em 13 mil), quer realizar em 2012 o 11° Congresso dos Estudantes da USP e transformar a indignação contra o reitor em mobilização efetiva. Entrevistamos o diretor da chapa eleita Gustavo Rego, estudante de ciências sociais, para saber como o diretório pretende enfrentar o desafio de mobilizar o corpo discente frente aos ataques da gestão Rodas.
Gustavo acredita que essa votação nas eleições para o DCE é reflexo da conjuntura política polarizada na Universidade. “Já é antiga no movimento estudantil a reivindicação por mais democracia na universidade, o enfrentamento por uma universidade de fato pública, contra essa estrutura de poder. Mas tudo isso ficou muito mais claro com a gestão Rodas, que adotou sistematicamente a tropa de choque como maneira de mediar conflito político”, diz o estudante. “A gente recebeu quase 7 mil votos porque votaram na gente aqueles que estavam indignados com a Reitoria e querem democracia na USP, reivindicando uma universidade mais justa”.
A greve estudantil de 2011 só terminou formalmente no início de 2012. Os ataques da Reitoria, porém, continuaram; a lista de estudantes processados só aumenta. O DCE aposta no contato com a base nos diversos cursos da universidade. “Temos que saber como conseguir canalizar esse sentimento para uma ação mais concreta. Não basta propor a mobilização pela mobilização, se a gente não construir um debate nos cursos, com os estudantes, que os motive para essa ação. Se não, a gente pode acabar criando uma certa defasagem entre o ritmo do DCE, da vanguarda do movimento estudantil, e o ritmo dos estudantes”, aponta Gustavo.
11° Congresso
O diretor explica ainda como o DCE pretende organizar os alunos: “Já existe um sentimento anti-Rodas, a gente tem que dialogar no conjunto dos cursos para conseguir concretizar nos estudantes a necessidade de uma luta. Neste ano deve ser marcado o 11° Congresso dos Estudantes. Pode ser uma boa oportunidade para estarmos presentes em todos os cursos, fazendo esse debate”.
Gustavo acredita que docentes e funcionários técnico-administrativos enfrentam dificuldades de mobilização. “O movimento estudantil está numa condição de fazer o enfrentamento, digamos, mais favorável do que as outras categorias. O reitor investiu fortemente no sentido de desmobilizar os professores, adotou uma tática de concessão que dificulta a organização. A gente não exclui a hipótese de que os professores e funcionários vão de novo fazer luta, eu torço por isso, vamos estar juntos, mas é muito mais difícil do que é para os estudantes”, afirma.
“Rodas é um reitor difícil de enfrentar, mas ele próprio cria as condições de mobilização”, declara o estudante a propósito da contratação de coronéis da PM para a segurança da USP. “É um retrocesso, dificulta nossa organização. Mas por outro lado essa medida deixa ainda mais claro para os estudantes que a Reitoria está querendo militarizar a universidade; na medida em que o reitor faz isso ele fortalece nossa luta”.
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