Universidade
Em nova invasão da FFLCH, grupo neofascista ataca Semana da Geografia, hostiliza pessoas e arranca faixas e cartazes, enquanto Guarda Universitária “cumprimenta invasores pessoalmente”
Na tarde de 11 de maio, em pleno decorrer da “XXIII Semana da Geografia” — uma atividade de extensão organizada pelo Laboratório de Ensino e Material Didático do Departamento de Geografia —, um grupo de extrema-direita invadiu o prédio da Geografia e História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), arrancou cartazes e faixas e hostilizou funcionários e estudantes.
A Comissão Organizadora do evento emitiu nota de repúdio à invasão protagonizada por “baderneiros da extrema-direita”, que ocorreu, como lembra o texto, “um dia depois da vexatória invasão da Polícia Militar do Estado de São Paulo no prédio da Reitoria, que resultou na expulsão violenta dos manifestantes que lutavam em prol de melhorias na universidade”.
Ainda segundo a nota, os integrantes do grupo neofascista “vilipendiaram o prédio da Geografia e História, arrancando os cartazes, retirando cadeiras, hostilizando e gravando sem autorização os estudantes da Universidade e membros da organização da Semana de Geografia, que lamentavelmente foram obrigados a interromper suas atividades, devido à investida fascista que pretendia nada mais que utilizar da violência simbólica e verbal como forma de chamar atenção para suas pautas vazias”.
A Comissão Organizadora criticou asperamente, ainda, a omissão e até conivência da Guarda Universitária (GU) com o grupo invasor (formado, segundo um relato, por 12 homens). De acordo com a nota, a GU “agiu apenas quando todos os cartazes e cadeiras já estavam retirados, e alunos e funcionários estavam sendo coagidos e ameaçados, além de no final, cumprimentar cada invasor pessoalmente”. “Uma atitude verdadeiramente vergonhosa. Nesse longo intervalo, vários estudantes foram difamados”.
Ainda segundo a Comissão Organizadora, os neofascistas questionaram a legitimidade das manifestações estudantis. “Nesse sentido, ressaltamos a importância do movimento estudantil e das mobilizações”, bem como sua reivindicação de que a universidade seja efetivamente pública, com condições e estrutura para exercer sua função social.
“Por fim, a Semana de Geografia repudia veementemente as ações de grupos de extrema-direita que agridem e caluniam o espaço universitário. Somos diametralmente opostos à visão limitada e antidemocrática destes grupos e não admitimos que continuemos sendo alvo deste tipo de ação, que ocorre desde o ano passado”. A nota pede ainda à Direção da FFLCH, à Reitoria e a “outros órgãos competentes” a apuração desse novo caso de violência política no âmbito da USP.
No dia 6 de maio, o diretor da FFLCH, professor Adrián Pablo Fanjul, esteve em Brasília para participar de uma reunião sobre prevenção de episódios de violência, invasão e intolerância política nas universidades, promovida pela Secretaria de Ensino Superior (Sesu) do Ministério da Educação (MEC). Durante o encontro, as autoridades presentes discutiram as incursões de grupos de extrema direita em instituições de ensino superior — entre elas, a FFLCH — e propostas para mitigar novos incidentes.
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