Saúde
Comunidade do Butantã sai às ruas para exigir contratação de mais funcionários(as) para a UPA Rio Pequeno — projetada para fazer 12 mil atendimentos por mês, ela ultrapassa 20 mil
A comunidade do Butantã realizou na última quinta-feira (11/12) uma manifestação pelas ruas do bairro para denunciar a situação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rio Pequeno e exigir da Prefeitura de São Paulo a contratação de mais funcionários(as) para a unidade.
Inaugurada em abril de 2024, a UPA Rio Pequeno foi projetada para realizar 12 mil atendimentos por mês. Porém, ao longo de 2025, vem efetuando mais de 20 mil atendimentos por mês com o mesmo número de funcionários (461).
“Em novembro, chegou a mais de mil por dia. Então, todo dia temos cenas de conflito entre usuário e trabalhador enquanto a gestão fica lá folgada”, disse na manifestação Lester Amaral Junior, integrante da coordenação do Coletivo Butantã na Luta.
A sobrecarga se deve, entre outras razões, ao fechamento, em julho do ano passado, do Pronto-Socorro (PS) Caetano Virgílio Neto, também conhecido como PS Bandeirantes. No local do antigo PS a Prefeitura está construindo uma nova UPA, cuja conclusão está prevista somente no segundo semestre de 2026.
Amaral relatou que em junho deste ano o Conselho Gestor (CG) da UPA, do qual faz parte, encaminhou à Coordenadoria Regional de Saúde Oeste, à Supervisão Técnica de Saúde do Butantã e à Secretaria Municipal da Saúde (SMS) um ofício pedindo providências. Nenhuma resposta havia sido encaminhada até a véspera da manifestação, quando o CG recebeu uma sinalização de que a SMS estaria preparando uma proposta. A reivindicação do movimento é de que sejam contratados(as) mais 52 profissionais para a unidade.
“A gestão municipal trabalha naquele modo que aprendemos na escola, o gerúndio: ‘estamos vendo’, ‘estamos pensando’… Agora vai sair, graças à luta popular”, afirmou.
A comunidade tem reivindicado também a criação de unidades básicas de saúde (UBS) no Rio Pequeno, na região do Jardim Paulo VI e no Distrito São Domingos. A região do Butantã deveria ter 26 UBS, diz Amaral, mas só existem 17.
O ato, que foi adiado da segunda-feira para a quinta por causa do temporal que atingiu a cidade, teve concentração na portaria do Instituto Butantan, e a caminhada seguiu até a Estação Butantã do Metrô.
“OSS” recebem repasses bilionários de recursos públicos
Representantes de vários mandatos na Câmara Municipal estiveram presentes na manifestação. Ana Paula Pereira Teixeira, assessora no gabinete da vereadora Luana Alves (PSOL), ressaltou que, assim como a UPA Rio Pequeno, muitos outros equipamentos na cidade são geridos pela “organização social de saúde” (OSS) Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), ou seja: uma entidade privada.
“A SPDM é uma das OSS que levam a maior fatia de dinheiro público da saúde”, disse Ana Paula. “A saúde de São Paulo está entregue às OSS. É importante que a população saiba disso”.
A assessora, que é enfermeira na SMS, atualmente licenciada para atuar na Câmara, defendeu a luta por um Sistema Único de Saúde (SUS) 100% público, de qualidade e com servidores(as) públicos(as).
De fato, os repasses de recursos públicos do município ao setor privado na saúde são astronômicos. O Relatório Anual de Gestão de 2023 elaborado pela SMS mostra que naquele ano o município destinou R$ 11,6 bilhões para o pagamento de contratos de gestão e convênios, o que equivale a 56,9% do orçamento total da saúde na cidade de São Paulo.
Em 2024, o repasse mensal à SPDM referente à administração da UPA Rio Pequeno era de R$ 5,9 milhões. Isso significa que, no ano passado, a entidade privada recebeu quase R$ 71 milhões em recursos públicos para a gestão de uma única unidade.
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