Representação sindical
Assembleia Geral aprova Pauta Unificada da data-base, expõe preocupações com a GACE e declara apoio à mobilização de estudantes e funcionários(as) da USP
Em Assembleia Geral realizada na tarde da última terça-feira (7 de abril), a Adusp aprovou por unanimidade a Pauta Unificada indicada pelo Fórum das Seis para a data-base de 2026.
De acordo com o Fórum, a perda salarial das categorias entre maio de 2012 e janeiro de 2026 é de 14,16%. A reivindicação da Pauta Unificada é de reposição das perdas do período de maio de 2012 a abril de 2026 (compostas pela inflação dos últimos 12 meses mais o que falta para recompor o poder aquisitivo de maio de 2012).
Após a aprovação da Pauta Unificada, o debate se concentrou na instituição da “Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas” (GACE), decidida pelo Conselho Universitário (Co) no dia 31 de março.
Vários(as) docentes fizeram manifestações críticas ao fato de que a GACE tenha sido apresentada em meio às negociações da data-base. Também houve falas que criticaram a Reitoria por não ter se referido à proposta em reunião com a Diretoria da Adusp. O reitor Aluísio Segurado e a vice-reitora Liedi Bernucci receberam diretores da entidade no dia 19 de março, mas não mencionaram a GACE, anunciada dias depois e imediatamente submetida ao Co.
Um ponto que mereceu atenção de quem participou da Assembleia Geral foi o risco da substituição dos salários por bônus, gratificações, subsídios ou outras formas de remuneração. Houve também falas de docentes que mencionaram preocupações com aspectos de formulação e execução dos projetos a serem submetidos à Câmara de Atividades Docentes (CAD) por quem quiser se habilitar a receber a GACE. Há dúvidas quanto ao caráter das chamadas “atividades complementares estratégicas”, ao processo de seleção e a um possível caráter punitivo da proposta.
Ao mesmo tempo, a GACE representa uma nova “rodada” de avaliação numa universidade que já submete seus docentes aos mais variados processos avaliativos, competitivos e focados em indicadores produtivistas.
Por outro lado, docentes também lembraram que há uma insatisfação legítima de uma parcela da categoria que foi prejudicada em termos materiais pelas reformas previdenciárias ocorridas desde 2003. Essas falas destacaram que o momento deve ser de prudência e que é preciso reconhecer e avaliar a situação dessa parcela de professores e professoras.
Os(as) participantes recomendaram a continuidade dos debates sobre esse e outros temas e propuseram que a Adusp amplie a comunicação com a categoria. A participação remota nas assembleias por videoconferência, que permite que docentes possam se integrar à discussão nos diferentes câmpus na capital e no interior, expondo preocupações de várias ordens, foi ressaltada como ponto positivo.
A assembleia decidiu não lançar neste momento uma manifestação relativa à GACE, mas aprovou por unanimidade uma moção de apoio à mobilização de estudantes e funcionários(as).
O texto da moção é o seguinte:
“A Assembleia Geral da Adusp, realizada em 7 de abril, manifesta seu apoio à mobilização de estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo.
Reafirmamos a legitimidade da organização coletiva e do direito à manifestação e à luta por parte dos diferentes segmentos da comunidade universitária, como elementos constitutivos de uma universidade pública, democrática e plural.
A Adusp se solidariza com as iniciativas de mobilização e destaca a importância do diálogo e do reconhecimento das formas de participação coletiva na construção da vida universitária.”
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