Daniel GarciaDaniel Garcia
Estudantes realizaram várias manifestações durante a greve

Representantes do DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” foram recebidos por promotores de justiça do Grupo de Atuação Especial de Educação (Geduc) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) na última segunda-feira (15 de junho) para detalhar denúncias encaminhadas pela entidade sobre a situação dos restaurantes universitários da USP.

As denúncias do DCE-Livre foram protocoladas no MP-SP no final de maio, ainda durante a greve estudantil, e tratavam também da recusa do reitor Aluísio Segurado em dar sequência às negociações das pautas do movimento.

De acordo com o estudante Pedro Chiquitti, diretor da entidade, os promotores indicaram que vão solicitar esclarecimentos à Reitoria sobre a fiscalização dos restaurantes universitários.

Num vídeo publicado no Instagram depois da reunião no MP-SP, o estudante diz que a cobrança por alimentação digna e por permanência vai continuar mesmo após o encerramento da greve dos(as) alunos. O final da paralisação foi aprovado em assembleia geral dos(as) discentes realizada no último dia 8.

Término da greve “não é o fim da nossa luta”, diz nota da entidade estudantil

Em nota publicada no final de semana em sua conta no Instagram, o DCE-Livre faz um balanço do movimento, no qual afirma que os(as) estudantes saem do processo “entendendo mais do que nunca que o fim desta greve não é o fim da nossa luta”.

“A greve histórica da USP, que durou mais de 50 dias, envolvendo sete dos 10 campi da universidade, professores e funcionários, demonstra como é possível com unidade e determinação enfrentar os poderosos e arrancar vitórias”, prossegue a nota.

O DCE-Livre diz que “a greve teve seu estopim por conta da crescente indignação com o processo de precarização das condições de estudo na USP; a insuficiência dos auxílios e a terceirização dos bandejões; e a minuta contra a autonomia financeira das entidades de base, um ataque direto aos espaços dos estudantes e à independência política e financeira do movimento”.

Na avaliação da entidade, o fato de que a reivindicação por melhorias na moradia e no auxílio-permanência tenha se tornado a pauta principal da greve “demonstra o desejo de mudança do corpo discente da universidade, que quer uma USP para toda a juventude”, de modo que a juventude “negra, indígena, trans, pobre e trabalhadora” tenha não só direito de acessar a universidade, mas “condições de permanecer na universidade com dignidade”.

Já o debate sobre a situação dos bandejões e dos hospitais universitários “vai para além de comer comida sem larva”, pois “escancara o verdadeiro resultado do sucateamento do serviço público e as consequências reais da privatização e da terceirização, projetos esses que têm como única finalidade atender o lucro privado em detrimento da qualidade do serviço e das condições de trabalho e estudo”.

O DCE-Livre ressalta que a defesa da educação pública em todos os níveis “não é o programa do neoliberalismo, da extrema-direita e do fascismo que hoje tenta impor à força um programa contrário a este de democratização do ensino, da ciência e da tecnologia”. Ao mesmo tempo, lamenta que as reitorias das universidades estaduais atuem “como executoras da política educacional do governo estadual” e que, quando essa política é contestada pela mobilização do movimento estudantil, a Polícia Militar seja “acionada para reprimir os estudantes”.

Melhoria das condições de permanência continua a ser pauta do movimento

O DCE-Livre diz que os(as) estudantes deram o recado de que “estão dispostos a lutar por melhores condições de permanência na universidade” e têm “a ciência de que mesmo com a construção da greve não arrancamos tudo que gostaríamos”.

“O gosto agridoce por termos pautas em aberto será canalizado em luta. A intransigência da Reitoria é a verdadeira responsável por isso, e é pela construção de mobilização, entendendo que a greve termina de maneira unificada, que vamos seguir lutando na USP e em São Paulo”, prossegue a entidade.

“Com os aprendizados e acúmulos que tiramos entraremos em um novo período de mobilização que passa por dar continuidade ao enfrentamento ao projeto de Tarcísio de Freitas”, afirma a nota. “Não iremos aceitar aqueles que não representam os verdadeiros anseios da juventude, nem dentro nem fora da nossa universidade. Nesse sentido, na USP seguiremos a luta, avançando o questionamento contra essa estrutura antidemocrática na universidade, a partir da campanha Fora Aluísio, Diretas Já e por paridade nos conselhos centrais.”

EXPRESSO ADUSP


    Se preferir, receba nosso Expresso pelo canal de whatsapp clicando aqui

    Fortaleça o seu sindicato. Preencha uma ficha de filiação, aqui!