Localizado entre os municípios de Americana e Cosmópolis (ambos na microrregão de Campinas), o Assentamento Milton Santos realizou uma grande celebração no último dia 13 de junho. Famílias assentadas, apoiadores, representantes de entidades sindicais, docentes universitários e lideranças políticas reuniram-se para comemorar a publicação do decreto presidencial 12.946/2026, assinado em 28 de abril, que declarou de interesse social para fins de desapropriação a área do antigo Sítio Boa Vista, abrindo caminho assim para sua destinação definitiva à reforma agrária.

O assentamento foi implantado no local por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) há cerca de duas décadas. Com efeito, o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Milton Santos foi criado oficialmente pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2006, a partir do processo de arrecadação de terras incorporadas à União em decorrência de débitos dos proprietários da Fábrica de Tecidos Carioba — que também eram donos do Sítio Boa Vista — perante o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Posteriormente, brechas existentes no processo foram aproveitadas pelos antigos proprietários para contestar a destinação das terras para a reforma agrária. A batalha pelo domínio do imóvel foi intensa, instaurando um longo período de insegurança jurídica para as famílias assentadas. Porém, com a publicação do decreto, o Incra fica autorizado a promover e executar a desapropriação da área de 103 hectares do Sítio Boa Vista, o que é motivo de grande contentamento entre as famílias assentadas.

A programação festiva realizada no dia 13 contou com um almoço coletivo preparado com alimentos produzidos pelas próprias famílias do assentamento, resultado da produção agroecológica desenvolvida no território. Também houve um churrasco de confraternização e discursos de militantes e apoiadores do MST que acompanharam, ao longo dessas duas décadas, a trajetória de resistência para assegurar a permanência de setenta famílias na área.

A propósito, assentados e assentadas participam sempre de atividades promovidas pela Adusp e realizadas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), especialmente as Jornadas Universitárias em Defesa da Reforma Agrária (JURA-Esalq). Nestas ocasiões, docentes, estudantes, ativistas socioambientais vivenciam diferentes práticas e debates, com vista ao fortalecimento dos laços entre a universidade pública e a agricultura familiar assentada.

Em abril último, na primeira atividade da XIII JURA-Esalq, ocorreu uma admirável cerimônia — com importante participação de estudantes e docentes da Esalq-USP e da Unicamp — em torno do plantio de mudas de árvores no assentamento, com a finalidade de homenagear as vítimas do massacre de Carajás, ocorrido há 30 anos.

Por outro lado, a Adusp contribui para viabilizar a comercialização de cestas agroecológicas produzidas pelas famílias assentadas. A distribuição destas cestas ocorre quinzenalmente, às terças-feiras, na subsede da entidade em Piracicaba. Sua composição apresenta uma ampla variedade de hortaliças, frutas e outros alimentos saudáveis cultivados sob princípios agroecológicos.

EXPRESSO ADUSP


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