A Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (REDE-TB) divulgou nesta terça-feira (7 de julho) um manifesto de apoio ao Instituto Adolfo Lutz, que a organização reconhece como de “relevância histórica, científica e estratégica para o fortalecimento da saúde pública brasileira”.

No documento, a REDE-TB “solidariza-se com toda a comunidade científica, técnica e administrativa do Instituto Adolfo Lutz e manifesta seu profundo respeito à trajetória de excelência construída ao longo de gerações de profissionais que fizeram e continuam fazendo dessa instituição um dos pilares da saúde pública brasileira”.

A organização “reafirma seu compromisso com a defesa das instituições públicas de pesquisa e de todos aqueles que, por meio da ciência, da inovação e do trabalho técnico qualificado, contribuem para o fortalecimento do SUS e para a melhoria das condições de saúde da população”.

Como o Informativo Adusp Online tem noticiado, a instituição científica, com 134 anos de serviços prestados à saúde pública, corre o risco de ser despejada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos)-Felicio Ramuth (PSD) e de ter quatro dos seus prédios demolidos. O terreno seria destinado a um novo “Hospital Inteligente”, projeto da cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar, com financiamento do governo federal e do Banco dos BRICS.

No dia 3 de julho, dezenas de funcionárias e funcionários do Adolfo Lutz participaram de um abraço simbólico na instituição, realizado em frente à escadaria do seu histórico prédio central, situado à Avenida Dr. Arnaldo, no chamado Quadrilátero da Saúde.

Em nota enviada à Folha de S. Paulo no final de junho, a Secretaria de Saúde do governo estadual disse que ainda “não definiu o local de implantação da unidade” e que as alternativas para a localização do novo hospital estão “em análise pelas áreas responsáveis e pelas instituições envolvidas, considerando viabilidade operacional, estrutural, assistencial e orçamentária”.

O jornal cita declarações da médica Ludhmila Hajjar ao portal Metrópoles, ao qual a cardiologista afirmou que a equipe do Adolfo Lutz iria para um lugar “muito melhor”, acrescentando que “só vamos derrubar com tudo organizado”. “Isso é ponto pacífico. Sou cientista, jamais deixaria isso acontecer”, prosseguiu. A Folha cita também as reportagens publicadas pelo Informativo Adusp Online sobre o tema.

Instituto “representa um patrimônio estratégico para a saúde pública brasileira”

Em seu manifesto, a REDE-TB ressalta que o Instituto Adolfo Lutz “consolidou-se como uma das mais importantes instituições públicas de pesquisa, vigilância laboratorial, diagnóstico, inovação e desenvolvimento científico do país”.

“Sua trajetória confunde-se com a própria evolução da saúde pública brasileira, contribuindo de forma decisiva para a vigilância epidemiológica, o controle de doenças transmissíveis, a segurança dos alimentos, a resposta às emergências sanitárias e o desenvolvimento de conhecimento científico em benefício da população”, diz o texto.

Ao longo de sua história, prossegue, “o Instituto desempenhou papel fundamental na formação de recursos humanos altamente qualificados, na produção de evidências científicas e no apoio técnico aos gestores e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), tornando-se referência nacional e internacional em diversas áreas do conhecimento”. “Sua contribuição para o enfrentamento da tuberculose e de outras doenças de importância para a saúde pública é amplamente reconhecida pela comunidade científica e pelos serviços de saúde em todo o país.”

A REDE-TB manifesta ainda seu “irrestrito apoio à preservação e ao fortalecimento do Instituto Adolfo Lutz, reafirmando a importância de que sua estrutura histórica, laboratorial e científica seja integralmente preservada e valorizada”.

“O Instituto representa um patrimônio estratégico para a saúde pública brasileira, cuja infraestrutura, capacidade técnico-científica e identidade institucional foram construídas ao longo de mais de um século e são indissociáveis de sua missão. Preservar o Instituto Adolfo Lutz em sua integridade é preservar a ciência, a vigilância em saúde, a memória institucional e a capacidade do Estado brasileiro de responder, com excelência, aos desafios presentes e futuros da saúde pública”, afirma a organização.

EXPRESSO ADUSP


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