Daniel GarciaDaniel Garcia
Heloísa Fernandes e João Zanetic, em registro de 2005

Uma iniciativa liderada pela professora Mônica Deyllot, docente do Colégio Técnico de Lorena (Cotel), ligado à Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP, quer homenagear o professor João Zanetic, associando seu nome definitivamente a uma via da Cidade Universitária do Butantã.

A intenção do abaixo-assinado publicado na Internet é rebatizar como “Caminho João Zanetic” a atual Travessa 12, que parte da Av. Prof. Lineu Prestes, na vizinhança da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), e segue até a Rua do Lago, próximo ao Instituto de Geociências (IGc).

Com esse pequeno gesto de carinho, diz o texto da petição, a ideia é “perpetuar seu nome, e quiçá com isso a memória de sua obra”.

“João Zanetic dedicou sua vida ao Ensino de Física abrindo caminhos e áreas de pesquisa com ‘Física também é cultura’, fundou o GREF [Grupo de Reelaboração do Ensino de Física], orientou e lecionou para milhares de estudantes, inspirando gerações. Lutou pela coisa pública, gratuita e de qualidade (pelo HU, pelo Butantã, e por tantas outras causas de equidade, valorização e permanência). Foi presidente da Adusp, e tanto de lá como de fora, brigou pela melhoria da universidade, das condições de trabalho, não apenas para os docentes mas também apoiando todo o quadro de funcionários e técnicos administrativos, causas estudantis, e tanto mais”, ressalta o texto que Mônica, ex-aluna de Zanetic, incluiu no abaixo-assinado.

A iniciativa também preenche requisitos de uma portaria emitida pela Prefeitura do Câmpus Capital-Butantã (PUSP-CB) no dia 19 de junho. Assinada pela prefeita Claudia Terezinha de Andrade Oliveira, docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU), a portaria estabelece que “a mobilização da comunidade universitária e local será valorizada no processo de escolha de nomes para os logradouros” da Cidade Universitária.

“A apresentação de abaixo-assinado, devidamente subscrito por membros da comunidade interessada, será considerada indicador de legitimidade e relevância da proposta”, diz o texto, o que reforça a importância do engajamento da comunidade para que a homenagem se concretize.

A portaria dispõe “sobre as diretrizes e critérios para a denominação de logradouros no âmbito do Câmpus” e reconhece “a atual disparidade de gênero e a sub-representação de minorias nas denominações vigentes, o que demanda ações para a promoção da equidade e da diversidade”.

“São passíveis de homenagem”, continua o texto, “docentes, funcionárias/funcionários e estudantes da Universidade de São Paulo (USP) que tenham se destacado por sua trajetória acadêmica, administrativa ou social”.

A trajetória de João Zanetic, falecido em abril de 2024, marcou profundamente a vida do Instituto de Física (IF) e da USP. Docente do IF entre 1970 e 2013, quando se aposentou, o professor formou gerações de estudantes e teve intensa militância política. Foi personagem fundamental na fundação da Adusp em 1976, ano seguinte ao assassinato de Vladimir Herzog, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA), pela ditadura militar.

Zanetic presidiu a Adusp em duas ocasiões: 1991-1993 e 2009-2011. O professor também participou das discussões que dariam origem ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), em 1981, e teve presença destacada nos congressos da entidade.

Mesmo depois da aposentadoria, manteve sua militância, em especial em questões relacionadas ao Grupo de Trabalho Políticas de Educação (GTPE) da Adusp, como a formulação de sucessivos Planos Nacionais de Educação, bem como na luta em defesa do Hospital Universitário da USP (HU).

Em maio de 2025, a memória de Zanetic foi homenageado numa cerimônia organizada pela Adusp. Na ocasião, a professora Mônica Deyllot lembrou que fez os cursos de férias ministrados pelo docente, integrou grupos de pesquisa e foi apresentada por ele à obra de Paulo Freire e ao trabalho da professora Lisete Arelaro, docente da Faculdade de Educação (FE). “A gente observa no João uma pessoa capaz de tocar no fundo de cada um e de lá ficar”, definiu.

“João Zanetic significa luta política pela emancipação do trabalhador brasileiro”, afirmou na cerimônia Francisco Miraglia, docente sênior do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP e ex-presidente da Adusp. “Sempre teve como perspectiva a transformação radical da sociedade, rumo ao socialismo democrático. Foi um combatente incansável por uma sociedade igualitária, pela justiça social e econômica, pelos direitos sociais fundamentais, como educação e saúde públicas, e considerava fundamental o nosso engajamento nas lutas da classe trabalhadora brasileira”.

EXPRESSO ADUSP


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