Universidade
Gestão Carlotti Jr.-Arruda chegou ao final com menos funcionários(as) do que no início; quadro atual é 26% menor do que em 2014
Apesar de ter apregoado em seu discurso que faria reposição de servidores(as) no quadro de pessoal da USP, a gestão Carlotti Jr.-Arruda (2022-2025) chegou ao final com uma diminuição no número de funcionários(as) da universidade.
Dados oficiais do Anuário Estatístico da USP demonstram que a gestão se iniciou com um quadro de 12.857 servidores(as), em 2022, e terminou com 12.727, 130 a menos.
O déficit em relação ao último ano da gestão anterior (2021), de V.Agopyan-A.C. Hernandes, de 13.150, é ainda maior: 423 servidores(as). Em 2018, primeiro ano dessa gestão, o número de servidores(as) era de 13.591. Isso significa 864 funcionários(as) a mais em relação ao final de 2025.
Sob Carlotti Jr.-Arruda, a Reitoria contratou somente cerca de 400 servidores(as) técnicos(as) e administrativos(as), quantidade insuficiente para repor as vacâncias, principalmente considerando-se que a USP criou novas unidades e cursos no período.
Uma delas é a Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU), criada em março de 2024 para assumir o curso de Medicina que vinha sendo mantido até então pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB).
Decorridos mais de dois anos, a FMBRU conta com apenas 84 servidores(as). A reduzida quantidade de pessoal é insuficiente para dar conta da demanda de trabalho na unidade, o que faz com que os(as) servidores da FMBRU sofram com grande sobrecarga. Basta comparar o seu número de funcionários(as) com o das faculdades de Medicina (FM) e de Ribeirão Preto (FMRP): 401 e 418, respectivamente.
Também em Bauru, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) sofreu uma queda de 549 funcionárias(os) para 397 entre 2022 e 2025 — uma perda de quase 28% do efetivo. O caso do HRAC tem como peculiaridade o criminoso processo de desmonte iniciado pela Reitoria em 2014, cujo desfecho foi a transferência do hospital para a Secretaria de Estado de Saúde em 2021 e, em seguida, a transferência de sua gestão para a fundação privada Faepa. Mais de 500 funcionários do HRAC foram pressionados pela Reitoria para que aceitassem trabalhar sob as ordens da Faepa.
Outra unidade em que a carência de recursos humanos tem levado a muitos problemas, inclusive a uma sensível diminuição no número de atendimentos, é o Hospital Universitário (HU), que passou de 1.378 para 1.284 servidores(as) no período.
De modo geral, as unidades experimentaram redução no número de funcionários(as). Em alguns casos, houve ligeiro aumento. Nada, entretanto, que possa representar um desafogo para as equipes que permanecem na ativa.
Esse é caso tanto da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) como da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), duas unidades que padecem de escassez crônica de pessoal técnico-administrativo. Ao longo da última gestão, o quadro da FFLCH cresceu apenas de 283 para 288, enquanto na EACH foi de 177 para 180. Em ambas, uma expansão irrisória.
A falta de servidores(as) e a sobrecarga de trabalho têm sido tema de recorrentes manifestações de diretores(as) de unidades em sessões do Conselho Universitário (Co), assim como de docentes que procuram a Adusp. Até o momento, a gestão Segurado-Bernucci não sinalizou que pretenda contratar funcionários(as).
Vale lembrar que a redução no quadro de pessoal da USP foi uma medida adotada na gestão de M.A. Zago-V. Agopyan (2014-2017), que, além de congelar as contratações logo no primeiro ano de sua administração, implantou o Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), em duas edições, em 2015 e 2016, que levaram à saída de milhares de servidores(as).
Em 2014, a USP tinha 17.200 funcionários(as), 4.473 a mais do que o registrado no final de 2025. O crescimento dos indicadores de produção científica e de formação discente e a consolidação de novas unidades e cursos têm se dado às custas da sobrecarga de trabalho de um quadro de pessoal reduzido em 26%.
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