Manifestação vitoriosa contra Tarcísio reuniu milhares; governo mandou PM bloquear a marcha, mas depois recebeu estudantes
Fotos: Daniel Garcia

Nesta quarta-feira (20) à tarde, uma grande manifestação popular convocada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo atravessou boa parte da capital paulista para expressar o enorme descontentamento e indignação com uma série de medidas implantadas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos)-Felício Ramuth (PSD). O ato envolveu a participação de milhares de pessoas, que se concentraram no Largo da Batata, em Pinheiros, antes de se deslocarem em marcha para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi.

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O eixo central da manifestação foi a denúncia da privatização e desmonte dos serviços públicos estaduais, simbolizados pela venda da Sabesp, concessões das linhas de Metrô e trens e “parcerias público-privadas” (PPPs) de gestão de unidades da rede pública estadual de ensino. Na conta dos devastadores ataques de Tarcísio ao ensino público entram também o programa de criação de “escolas cívico-militares”, a plataformização de conteúdos e a redução da verba vinculada destinada à educação, de 30% para 25% da receita tributária. Em outra frente, a da segurança pública, as estatísticas revelam um alarmante aumento da letalidade policial, em especial praticada pela Polícia Militar, e do número de feminicídios.

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Na caminhada rumo ao Palácio, uma enorme faixa conjunta confeccionada pelos diretórios centrais de estudantes da USP, Unesp e Unicamp sintetizava diversas palavras de ordem: “Em defesa da educação, contra a violência policial e as privatizações — fora Tarcísio!”. Muitos cartazes empunhados por manifestantes, às vezes improvisados, faziam alusão à destruição do ensino público estadual protagonizada pelo governador e pelo secretário Renato Feder: “Tarcísio e Nunes [prefeito de São Paulo], inimigos da educação”, “Educação não é gasto, é investimento”, “Educar não é privatizar”, “Educação não é mercadoria”.

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Houve forte presença de estudantes em greve da USP, Unesp e Unicamp. Funcionários(as) técnico-administrativos(as) e docentes das universidades, que se encontram em campanha de data-base, também participaram — na Unicamp, todas as categorias se encontram em greve, e na USP e Unesp docentes estão com indicativo de greve.

Entre estandartes e faixas conduzidos por estudantes da USP era possível divisar a presença de representações da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) e da Escola Politécnica (Poli), ao lado de outras como as dos centros acadêmicos do curso de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e do curso de Ciências Moleculares (interunidades).

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Embora as universidades disponham de ampla autonomia administrativa e financeira (e as negociações salariais sejam realizadas diretamente entre o Fórum das Seis e o Cruesp), os reitores da USP e Unicamp, Aluísio Segurado e Paulo César Montagner, e a reitora da Unesp, Maysa Furlan, foram nomeados pelo atual governador. Além disso, foi Tarcísio quem autorizou a violenta ação da Polícia Militar de desocupação, ou reintegração de posse, da Reitoria da USP na madrugada do dia 10 de maio.

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No início da noite, numerosos contigentes da Polícia Militar, reforçados por barreiras de soldados da Tropa de Choque, bloqueavam o acesso dos manifestantes ao Palácio. Porém, após negociação, o governo aceitou, por volta das 20 horas, receber uma delegação estudantil. Representantes dos três diretórios centrais e também da União Nacional dos Estudantes (UNE) foram recebidos pelo chefe de gabinete da Casa Civil.

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Na conversa, as lideranças estudantis reivindicaram que o financiamento das universidades seja ampliado, para que as políticas de permanência estudantil recebam recursos suficientes e seja garantida a valorização do corpo de docentes e de funcionários(as) técnico-administrativos(as). Também se colocaram contrariamente à autarquização dos hospitais universitários. “O que se demonstrou é que aquelas pessoas que estavam ali não têm conhecimento nenhum das universidades”, comentou um dos estudantes presentes sobre os representantes do governo.

A PM acompanhou toda a manifestação. Provocadores de extrema-direita acompanhados de seguranças, como o ex-deputado estadual Douglas Garcia, causaram alguns incidentes durante a caminhada, com troca de socos entre eles e manifestantes. Mas não houve incidentes entre a PM e manifestantes, nem prisões.

EXPRESSO ADUSP


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