Ditadura militar
Debate na Saúde Pública denuncia IML por fraudar laudos na Ditadura Militar
O relatório “Assassinato de Opositores Políticos no Brasil – laudos falsos e fraudes praticadas por legistas no Instituto Médico-Legal de São Paulo durante a ditadura civil-militar”, elaborado pela Comissão da Verdade da Associação Paulista de Saúde Pública, foi apresentado e debatido em 31/3 na Faculdade de Saúde Pública (FSP).
| Daniel Garcia |
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| Os convidados do evento durante a fala da vice-diretora da FSP |
Intitulado “Percursos da Memória e da História da Saúde Pública em São Paulo – das fraudes do IML à (Des) Memória Pública”, o evento foi coordenado pelo professor Carlos Botazzo (FSP) e teve como convidados o ex-deputado estadual Adriano Diogo, a médica e ex-presa política Elzira Vilella e os professores André Mota (FM) e Maria Cristina Marques (FSP).
“Esse relatório sobre o IML nunca havia sido divulgado à comunidade acadêmica, especialmente à FSP”, afirmou Botazzo. Para ele, “é muito importante retomar a memória do que aconteceu na saúde pública em São Paulo e punir os culpados”.
O relatório mostra que entre 1969 e 1976 o IML emitiu pelo menos 51 laudos falsos de militantes assassinados pelo regime militar, entre eles Alexandre Vannucchi Leme, estudante do IGc, e o jornalista Vladimir Herzog, professor da ECA. Alexandre foi morto sob tortura em 1971, no DOI-Codi do II Exército, mas seu laudo indica atropelamento como causa mortis. Herzog também foi torturado até a morte naquele local, em 1975, porém seu laudo menciona suicídio.
Além disso, foram citados os legistas responsáveis pelos laudos falsos. Entre eles, Harry Shibata, ainda vivo e que atestou a morte de Herzog, e Isaac Abramovitch, que assinou o laudo de Alexandre e outras 21 falsificações.
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