Universidade
Em novo comunicado, PRG volta a afirmar que calendário escolar não mudou e recomenda o “registro da falta correspondente” caso a greve estudantil ultrapasse três semanas letivas
A Pró-Reitoria de Graduação (PRG) da USP voltou a emitir um recado duro aos e às estudantes em greve na universidade. Por meio do Comunicado PRG 02/2026, assinado pelo pró-reitor Marcos Garcia Neira e pelo pró-reitor adjunto Paulo Takeo Sano e enviado a diretores(as) de unidades e presidentes das comissões de graduação na última terça-feira (5 de maio), a PRG afirma que em reunião com os(as) dirigentes das unidades na véspera (4) a Reitoria “reiterou a necessidade de observância integral do calendário escolar vigente, aprovado pelo Conselho de Graduação em 27/11/2025”.
De acordo com a PRG, estão mantidas as datas previstas do período letivo do primeiro semestre, que se encerra no dia 4 de julho, havendo recuperação e cadastro da segunda avaliação até 27 de julho. O início do segundo semestre está marcado para 3 de agosto.
“A PRG chama a atenção para o fato de que o calendário do 1º semestre dispõe de menor margem de ajuste. Muitas disciplinas oferecidas neste período constituem requisito para componentes curriculares do 2º semestre, e, em vários cursos, especialmente nos anos iniciais das áreas de Exatas e Biológicas, há disciplinas ministradas por outras Unidades. Por essa razão, alterações locais podem produzir impactos em cadeia nas matrículas, nos requisitos e na oferta do semestre seguinte”, diz o comunicado.

A única menção à greve estudantil — que, embora seja a razão do documento, é citada apenas de forma lateral — aparece no quarto parágrafo. Nele, a PRG afirma que “até o encerramento do período letivo, em 04/07, ainda há margem para a recomposição de uma a três semanas letivas, observadas a frequência mínima de 70%, conforme o Regimento Geral da USP, e a carga horária prevista para cada disciplina”. “Caso o número de aulas não ministradas em razão da greve seja superior a essa margem”, prossegue o comunicado, “a PRG recomenda o registro da falta correspondente, uma vez que o lançamento de nota e frequência no sistema caracteriza o cumprimento integral da carga horária da disciplina” (destaques nossos).
A PRG encerra o comunicado afirmando que “formalmente, não houve interrupção nem alteração do calendário escolar” e que “desse modo, não há respaldo para a extensão das aulas após o término do período letivo, tampouco para a migração de aulas presenciais para o formato remoto ou sua substituição por aulas gravadas”.
Intransigente, Reitoria declarou encerradas as negociações com estudantes
Em linhas gerais, o novo comunicado da PRG repete o tom do anterior, emitido no dia 22 de abril. Nos dois documentos “não há uma palavra a respeito das reivindicações das e dos estudantes”, como ressaltou nota da Diretoria da Adusp publicada no dia 23 de abril, logo após a divulgação do primeiro comunicado.
Na ocasião, destacou que, “ao se ater a um aspecto aparentemente burocrático, a pró-reitoria avaliza uma finalização do semestre que implique que as ementas sejam cumpridas e as avaliações sejam realizadas de modo açodado, com evidente prejuízo para a qualidade dos cursos”.
Além disso, “o comunicado da PRG pode coibir docentes que pretendam oferecer alternativas às e aos estudantes de fazê-lo com a tranquilidade e a liberdade que devem caracterizar a docência na universidade pública”, salientou a Diretoria.
“Mais preocupante ainda é o caráter punitivo que o conteúdo deste comunicado carrega. A categoria das e dos estudantes, assim como a das e dos técnico-administrativos, tem uma representação pífia nos órgãos de decisão da universidade e, por isso mesmo, não consegue se fazer ouvir por meio de caminhos institucionais. Para serem ouvidos, precisam recorrer a outros expedientes. Quando o fazem, a administração, ao invés de abrir espaços de interlocução e negociação, indica caminhos que ensejam desrespeito e punições para com um movimento por reivindicações claras e legítimas”, enfatiza a Diretoria da Adusp, em críticas que se mantêm válidas em relação ao segundo comunicado.
Uma “novidade” no documento divulgado nesta semana é que a PRG afirma que “formalmente, não houve interrupção nem alteração do calendário escolar”. Ora, é exatamente a essa pró-reitoria que cabe a incumbência de alterar o calendário escolar. A postura do órgão reproduz a intransigência da Reitoria à qual se subordina, que declarou encerradas, de forma unilateral, as negociações com a representação estudantil.
Em assembleia organizada pelo DCE-Livre “Alexandre Vannucchi Leme” na noite da quarta-feira (6 de maio), os(a) estudantes repudiaram o comunicado da PRG e decidiram manter a greve.
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