Daniel GarciaDaniel Garcia
Reuniões de negociação na Reitoria da Unesp foram acompanhadas por atos públicos

O Fórum das Seis enviou na última segunda-feira (1º de junho) um ofício ao Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) no qual, além de exigir a imediata retomada das negociações da data-base e a efetiva reabertura do diálogo institucional com as entidades representativas, faz uma série de críticas e considerações aos reitores sobre o momento vivido na USP, na Unesp e na Unicamp.

“A interrupção das negociações da data-base de 2026, a recusa reiterada ao diálogo institucional com as entidades representativas das categorias universitárias e a adoção de práticas marcadas pela intransigência, pelo silêncio e pela omissão configuram um dos mais graves ataques já dirigidos à histórica interlocução democrática construída ao longo de décadas entre o Cruesp e o Fórum das Seis”, diz o ofício.

Ao contrário da “coragem institucional, compromisso público e disposição ao diálogo” esperados das reitorias, “o que se vê é o fechamento político das administrações universitárias diante das pautas legítimas de estudantes, servidoras/es técnico-administrativos e docentes; o esvaziamento deliberado dos canais de interlocução; o tratamento das reivindicações coletivas como problema de ordem e segurança; e a normalização de práticas incompatíveis com a tradição democrática da universidade pública paulista”, afirma o documento.

O Fórum das Seis se diz perplexo com o fato de que “dirigentes universitários, também eles professores e intelectuais formados na defesa da autonomia universitária, da crítica democrática e da liberdade de pensamento, escolham justamente neste momento histórico alinhar-se à lógica autoritária da gestão empresarial, da repressão institucional, da judicialização e da deslegitimação da organização coletiva”.

“O silêncio diante da violência policial nos campi, das ameaças de punição administrativa, das tentativas de intimidação política e da recusa persistente à negociação não recairá apenas sobre as administrações atuais. Recairá sobre a própria memória institucional das universidades e sobre todos aqueles que, podendo agir em defesa da democracia universitária, optarem pela omissão”, prossegue o ofício, assinado pelo coordenador do Fórum, João da Costa Chaves Júnior, secretário-geral da Adunesp.

O Fórum das Seis apela diretamente à presidenta do Cruesp, Maysa Furlan, reitora da Unesp, “pesquisadora de excelência e dirigente cuja trajetória acadêmica foi construída no interior da universidade pública paulista”, para que “atenda à solicitação com a responsabilidade histórica que este momento impõe”.

O Fórum das Seis conclama os reitores a optar “por uma postura democrática e historicamente responsável, ao contrário daqueles que, chamados à defesa da universidade pública, preferiram o silêncio, a omissão e o fechamento político”.

“Ainda há tempo para preservar a interlocução democrática construída ao longo de décadas. Ainda há tempo para honrar a responsabilidade histórica que este momento impõe”, propõe o Fórum.

Além de reivindicar a imediata reabertura das negociações e a retomada do diálogo com as entidades, o Fórum das Seis demanda “o compromisso público com a valorização das universidades estaduais paulistas” e “a rejeição explícita de práticas de intimidação, violência institucional e repressão política no interior dos campi”.

Índice não foi votado na USP e na Unicamp; folha será gerada sem reajuste

A última reunião de negociação entre as partes foi realizada no dia 14 de maio. Na ocasião, o Cruesp se negou a reconsiderar a proposta de reajuste salarial às categorias de docentes e funcionários(as) das universidades e manteve o índice de 3,47%, correspondente à inflação dos últimos doze meses medida pelo IPC-Fipe.

A contraproposta do Fórum das Seis é de um reajuste de 4,39%, que corresponde à inflação medida pelo IPCA-IBGE, índice oficial do país, ao qual se acrescentariam outros 3%, a serem concedidos como primeiro passo para uma política de reposição, ainda que parcial, das perdas salariais acumuladas desde maio de 2012. O índice composto resultante, portanto, é de 7,52%.

A aprovação do reajuste estava na pauta da sessão do Conselho Universitário (Co) do dia 26 de maio, mas o tema não chegou a ser votado, porque o reitor Aluísio Segurado suspendeu a reunião.

O Conselho Universitário da Unicamp também não votou a aprovação do reajuste. O tema foi retirado de pauta na sessão do dia 26 por proposta da representação dos(as) servidores(as) técnico-administrativos(as), acolhida pelo plenário por 40 votos a favor, 24 contrários e duas abstenções.

No dia 27, a Coordenadoria de Administração Geral (Codage) e a Secretaria-Geral da USP enviaram mensagem à comunidade na qual informam que, por conta da suspensão da sessão do Co, “a folha de pagamento referente a maio será gerada sem índice de correção, porquanto seja necessária a deliberação pelo Conselho Universitário, que voltará a ser convocado o mais brevemente possível”.

EXPRESSO ADUSP


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